Responsabilidade Social • 14:53h • 22 de junho de 2026
SP adota novo modelo de monitoramento hídrico
Nova metodologia passa a considerar os últimos 15 anos de dados hidrológicos, cria monitoramento específico para o Sistema Cantareira e adota critérios mais preventivos para garantir a segurança do abastecimento na Região Metropolitana de São Paulo
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Divulgação/Governo de São Paulo
O Governo de São Paulo anunciou na sexta-feira (19) uma atualização na metodologia utilizada para monitorar a segurança hídrica da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). A medida, que será oficializada por meio de deliberação da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) na próxima segunda-feira (22), busca tornar o sistema mais preciso e eficiente na identificação de riscos relacionados ao abastecimento de água.
O aperfeiçoamento foi desenvolvido em conjunto pela Arsesp e pela Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas), por meio do Comitê de Integração das Agências para a Segurança Hídrica. A atualização já estava prevista desde a implementação da metodologia original, em 2025, e incorpora as contribuições recebidas durante consulta pública, além da experiência acumulada ao longo do primeiro ano de aplicação.
Série histórica mais ampla e monitoramento reforçado
Uma das principais mudanças é a ampliação da base de análise hidrológica. Em vez de utilizar como referência principal o comportamento observado em 2021, o novo modelo passa a considerar os últimos 15 anos de dados. A medida permite avaliar diferentes cenários climáticos, incluindo períodos de seca, anos mais chuvosos e eventos influenciados por fenômenos como El Niño e La Niña.
Segundo o governo estadual, essa abordagem proporciona projeções mais robustas e alinhadas ao comportamento real dos sistemas de abastecimento, aumentando a capacidade de antecipar possíveis situações de escassez.
Outra novidade é a criação de uma curva específica de monitoramento para o Sistema Cantareira, responsável por parcela significativa do abastecimento da Grande São Paulo. Até então, o desempenho do Cantareira era analisado apenas dentro dos resultados gerais do Sistema Integrado Metropolitano (SIM).
Com a mudança, o reservatório passará a ter acompanhamento próprio, permitindo identificar de forma mais rápida eventuais oscilações que poderiam ficar mascaradas em uma análise conjunta.
Critério mais conservador
A definição da faixa de atuação passará a considerar simultaneamente os indicadores do Sistema Integrado Metropolitano e do Sistema Cantareira. Caso os dois apontem situações diferentes, prevalecerá sempre o cenário mais crítico.
De acordo com o governo, a medida segue o princípio da prudência e busca garantir maior proteção ao abastecimento da população.
A nova metodologia também estabelece metas mais conservadoras para o armazenamento dos reservatórios. Enquanto o modelo anterior trabalhava com uma projeção de 47,66% de volume útil para o fim do ciclo hidrológico, a nova referência estabelece uma meta mínima de 53% para abril de 2027.
Avaliações mensais e mais previsibilidade
Outra alteração importante está na periodicidade das avaliações. Antes, mudanças de faixa dependiam de períodos de permanência de sete ou 14 dias em determinadas condições.
Agora, a análise será realizada mensalmente, com divulgação de nota técnica no último dia de cada mês. Em situações excepcionais, quando houver agravamento relevante do cenário hídrico, avaliações extraordinárias poderão ser convocadas.
Segundo o governo, a mudança oferece mais estabilidade, previsibilidade e transparência para gestores, operadores e para a população.
Abastecimento não muda imediatamente
O aperfeiçoamento da metodologia não significa alteração automática no fornecimento de água nem adoção imediata de medidas restritivas.
As ações operacionais continuam seguindo uma lógica gradual, que pode incluir redução noturna de pressão na rede, regimes diferenciados de abastecimento e, em último caso, rodízio. Este último permanece reservado exclusivamente para situações de criticidade extrema.
O governo ressalta que a atualização representa um aprimoramento técnico do modelo existente, sem mudanças nos princípios que orientam a gestão hídrica estadual, como prevenção, planejamento, transparência e integração institucional.
Economia de água continua sendo fundamental
Mesmo com os avanços no monitoramento e na gestão dos reservatórios, o Estado reforça a importância do consumo consciente de água pela população.
Entre agosto de 2025 e junho de 2026, a Gestão de Demanda Noturna (GDN), que reduz a pressão da rede durante a madrugada para diminuir perdas, gerou uma economia acumulada de aproximadamente 158 bilhões de litros de água. O volume equivale ao consumo mensal de cerca de 27,6 milhões de pessoas, número superior à população da Região Metropolitana de São Paulo.
Segundo o governo, a preservação dos recursos hídricos depende de um esforço conjunto entre poder público, concessionárias e consumidores, combinando investimentos, redução de perdas, ampliação da oferta e uso responsável da água no dia a dia.
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