Responsabilidade Social • 10:23h • 30 de junho de 2026
SP já recuperou áreas de nascentes e rios equivalentes a 9,5 mil campos de futebol desde 2023
Foco na proteção dos mananciais faz parte da estratégia do Governo de ampliar a resiliência hídrica e melhorar a qualidade da água
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
Desde 2023, o Estado de São Paulo ampliou as ações de restauração ambiental e já contabiliza mais de 41 mil hectares de áreas em processo de recuperação, o equivalente a mais de 55 mil campos de futebol. Desse total, cerca de 10 mil hectares estão localizados em áreas de nascentes e margens de rios, o que representa aproximadamente um quarto das áreas restauradas e reforça o foco da política ambiental na proteção dos recursos hídricos.
Além da recuperação da vegetação, o estado criou mais de 14 mil hectares de novas áreas protegidas desde 2023. Entre elas está o Parque Estadual do Morro Grande, que abriga as nascentes do rio Cotia, responsável pelo abastecimento de cerca de 400 mil pessoas na Região Metropolitana de São Paulo.
Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), a restauração da vegetação em áreas de mananciais contribui para aumentar a infiltração da água no solo, reduzir perdas por evaporação, preservar nascentes e manter a regularidade dos cursos d'água, fortalecendo a segurança hídrica do estado.
As áreas restauradas estão distribuídas conforme as Unidades de Gerenciamento de Recursos Hídricos, permitindo integrar a recuperação ambiental ao planejamento dos recursos hídricos. Uma das regiões prioritárias é o Pontal do Paranapanema, que concentra cerca de 14% das áreas atualmente em restauração, devido ao elevado passivo ambiental.
Ao mesmo tempo, regiões responsáveis pelo abastecimento da população, como os sistemas Cantareira e Guarapiranga, também recebem projetos voltados à recuperação da vegetação e à proteção dos mananciais.
No município de Salesópolis, onde estão localizadas as nascentes do rio Tietê, aproximadamente 60,9 hectares estão sendo restaurados com o plantio de mais de 74 mil mudas de espécies nativas. As ações abrangem sete áreas, distribuídas entre Salesópolis e Guarulhos, com foco na recomposição da vegetação e na preservação dos cursos d'água.
A região também reúne quatro projetos financiados pelo Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro), que incluem recuperação de áreas degradadas, preservação de várzeas, melhorias de infraestrutura e intervenções voltadas à conservação ambiental.
Desde 2023, o Fehidro destinou cerca de R$ 45,9 milhões para projetos de restauração florestal em diferentes regiões do estado. Os recursos financiam diagnósticos ambientais, estudos técnicos, elaboração de projetos e ações de recuperação em áreas de mananciais, beneficiando 54 municípios paulistas.
Outra frente de atuação é o Finaclima, mecanismo estadual voltado à captação de recursos privados para projetos de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Entre as iniciativas está a restauração de 110 hectares de Áreas de Preservação Permanente (APPs) no Assentamento Governador André Franco Montoro, no Pontal do Paranapanema, com previsão de ampliar a área restaurada para 700 hectares até o próximo ano.
No Sistema Cantareira, o programa prevê a adoção do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), oferecendo apoio financeiro e técnico a produtores rurais que recuperarem áreas degradadas. O incentivo poderá chegar a R$ 9 mil por hectare, com bonificações para propriedades que atingirem as metas de restauração.
Com os recursos já contratados, a expectativa é restaurar inicialmente 110 hectares no Pontal do Paranapanema e 55 hectares na região do Cantareira, com investimentos que podem alcançar R$ 30 milhões provenientes de compensações ambientais, conversão de multas e outros instrumentos de financiamento.
Segundo a Semil, a restauração ambiental passou a ocupar papel estratégico nas políticas públicas do estado ao priorizar áreas de preservação permanente, mananciais e regiões ambientalmente mais vulneráveis. Além de recuperar ecossistemas, essas ações fortalecem a produção e a conservação da água e ampliam a capacidade de adaptação às mudanças climáticas.
Como parte dessa estratégia, o Programa Rios Vivos desenvolveu o Projeto Mananciais, que identificou 43 mananciais prioritários para receber ações de proteção e segurança hídrica. Também foram elaboradas diretrizes técnicas para 43 bacias hidrográficas, com orientações sobre conservação do solo, uso sustentável da água, prevenção do assoreamento e implantação de programas de pagamento por serviços ambientais, incluindo iniciativas voltadas à geração de créditos de carbono.
De acordo com a SP Águas, as ações buscam integrar recuperação ambiental, proteção dos recursos hídricos e instrumentos econômicos de conservação, contribuindo para ampliar a segurança hídrica e beneficiar milhões de pessoas em todo o estado.
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