Segurança Pública • 11:28h • 07 de julho de 2026
SP tem a menor taxa de homicídios de mulheres do Brasil, aponta Atlas da Violência
Levantamento aponta 1,5 morte por 100 mil mulheres em 2024, menos da metade da média nacional e à frente de Santa Catarina, Distrito Federal e Sergipe
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Divulgação/Governo de São Paulo
O estado de São Paulo registrou, em 2024, a menor taxa de homicídios de mulheres do país, de acordo com o Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O índice foi de 1,5 homicídio para cada 100 mil mulheres, menos da metade da média nacional, que ficou em 3,4.
Na sequência aparecem Distrito Federal, Santa Catarina e Sergipe, todos com taxa de 2,2 homicídios por 100 mil mulheres. Já os maiores índices foram registrados em Roraima (12,6), Ceará e Rondônia (5,7 cada), além de Bahia e Pernambuco (5,4).
Os dados mostram que São Paulo mantém a menor taxa de homicídios de mulheres entre todas as unidades da Federação ao longo da série histórica do Atlas. Entre 2014 e 2024, o indicador caiu de 2,7 para 1,5 homicídio por 100 mil mulheres, redução de 44,4%. No mesmo período, a taxa nacional recuou de 4,7 para 3,4, queda de 27,7%.
Em todo o Brasil, 3.642 mulheres foram vítimas de homicídio em 2024, segundo informações do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, base utilizada pelo estudo.
Os dados diferem dos registros de feminicídio, tipificação criminal criada pela Lei nº 13.104/2015 e contabilizada pelas polícias civis quando há evidências de que o crime foi motivado pela condição de gênero da vítima. Como o sistema de saúde não faz essa distinção, os pesquisadores utilizam os homicídios de mulheres ocorridos dentro de residências como um indicador indireto para acompanhar a evolução dos feminicídios no país.
No enfrentamento à violência contra a mulher, o Governo de São Paulo reúne ações integradas por meio do movimento SP por Todas, lançado em 2024. A iniciativa reúne políticas de segurança, saúde, acolhimento e autonomia econômica, coordenadas pela Secretaria de Políticas para a Mulher.
Entre as ferramentas disponíveis está o aplicativo SP Mulher Segura, que conta com botão de pânico integrado ao monitoramento eletrônico de agressores por tornozeleira. Implantada em parceria com o Tribunal de Justiça, a medida já monitorou 1.198 homens com medidas protetivas e resultou na prisão de 123 pessoas por descumprimento das determinações judiciais. Até maio de 2026, o aplicativo contabilizava 64 mil usuárias cadastradas e mais de 16,4 mil acionamentos de emergência.
Em maio deste ano, o Governo do Estado lançou o programa SP por Todas Mais Seguras, com investimento de R$ 20,9 milhões. Entre as ações estão a criação da Patrulha Mulher Segura, estrutura especializada da Polícia Militar voltada exclusivamente à proteção de mulheres, com previsão de 100 viaturas em operação até o fim de 2026, além da implantação de 40 Espaços Lilás em unidades da corporação para acolhimento de vítimas.
Outro marco ocorreu em abril, quando a coronel Glauce Anselmo Cavalli assumiu o comando-geral da Polícia Militar paulista, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo em quase dois séculos de história da instituição. Ao tomar posse, ela afirmou que o enfrentamento à violência doméstica e familiar será uma das prioridades da corporação.
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