Saúde • 19:49h • 01 de julho de 2026
Suicídio já está entre as principais causas de morte de jovens no Brasil; pediatras fazem alerta urgente
Comitê Científico destaca que sofrimento psíquico não deve ser tratado como "fase da idade" e defende identificação dos sinais de alerta, avaliação especializada e acompanhamento contínuo
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Playpress Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
O aumento dos problemas de saúde mental entre adolescentes tem mobilizado especialistas em todo o mundo e reforçado a necessidade de ampliar o cuidado preventivo. Em nota técnica, o Comitê Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul alerta que reconhecer precocemente os sinais de sofrimento psíquico pode fazer diferença no encaminhamento e no tratamento dos jovens.
O documento destaca que o cenário é considerado um importante desafio de saúde pública. No Brasil, o suicídio está entre as principais causas de morte de pessoas de 15 a 29 anos, enquanto estudos internacionais também apontam crescimento das internações relacionadas ao sofrimento psíquico entre adolescentes na última década.
Sofrimento não deve ser minimizado
Segundo os especialistas, um dos principais obstáculos é a tendência de interpretar mudanças de comportamento como algo "normal da adolescência". Essa percepção pode retardar a busca por ajuda e dificultar o acesso ao atendimento adequado.
A Sociedade de Pediatria explica que o cérebro do adolescente ainda está em desenvolvimento, especialmente nas áreas responsáveis pelo controle dos impulsos, planejamento e tomada de decisões, enquanto os centros ligados às emoções apresentam maior atividade nessa fase da vida.
Outro fator apontado é o acesso precoce e, muitas vezes, sem supervisão às redes sociais, que pode contribuir para o agravamento de problemas emocionais quando associado a outros fatores de vulnerabilidade.
Quatro pilares do cuidado
Para fortalecer o atendimento, o Comitê Científico recomenda que os serviços de saúde organizem o cuidado em quatro etapas fundamentais:
- Reconhecer os sinais de sofrimento e combater o estigma;
- Avaliar tecnicamente a situação clínica do adolescente;
- Apoiar o jovem e sua família durante todo o processo de atendimento;
- Agir com um plano de cuidado e encaminhamento adequado.
Os especialistas ressaltam que o atendimento inicial, por si só, não é suficiente. O acompanhamento deve ocorrer de forma contínua, envolvendo profissionais de saúde mental, pediatras e hebiatras, para garantir uma assistência integrada.
Família e escola têm papel importante
O documento também reforça que pais, responsáveis, educadores e profissionais da saúde devem estar atentos a mudanças persistentes de comportamento, isolamento social, queda no rendimento escolar ou outras alterações importantes na rotina dos adolescentes.
Para a Sociedade de Pediatria, reduzir o preconceito em torno da saúde mental e facilitar o acesso aos serviços especializados são medidas essenciais para oferecer acolhimento e fortalecer a rede de proteção aos jovens.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos