Saúde • 13:18h • 07 de novembro de 2026
Suor excessivo nas mãos e axilas pode exigir cirurgia; entenda quando ela é indicada
Hiperidrose afeta até 3% da população e pode comprometer atividades cotidianas; procedimento é considerado quando outros tratamentos não apresentam resultados satisfatórios
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Central Press | Foto: Divulgação
O suor excessivo, mesmo em situações de repouso ou sem calor, pode ser sinal de hiperidrose, condição que afeta de 2% a 3% da população, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). O problema atinge principalmente mãos, pés, axilas e rosto, podendo dificultar atividades simples, como escrever, utilizar o celular ou cumprimentar alguém. Nos casos mais intensos, quando os tratamentos convencionais não apresentam resultados satisfatórios, a cirurgia pode ser uma alternativa.
Apesar dos impactos na rotina, menos de 40% das pessoas com hiperidrose procuram atendimento médico. A condição pode surgir ainda na infância ou adolescência e provocar constrangimento, ansiedade e dificuldades nas relações pessoais e profissionais.
Segundo Liu Estradioto, cirurgião torácico, o suor excessivo pode comprometer a autoestima e interferir nas atividades escolares e profissionais. A avaliação médica é importante para diferenciar a hiperidrose de outras condições que também provocam transpiração intensa.
Como identificar quando o suor é excessivo?
A transpiração é um mecanismo natural de controle da temperatura corporal. Na hiperidrose, porém, ocorre de maneira desproporcional, mesmo quando o organismo não precisa eliminar calor.
Entre os sinais considerados na avaliação médica estão episódios frequentes de suor intenso, persistência dos sintomas por pelo menos seis meses e histórico familiar. Já a transpiração que surge repentinamente, ocorre durante a noite ou vem acompanhada de febre, perda de peso e palpitações exige investigação de possíveis doenças associadas.
O tratamento inicial pode incluir antitranspirantes específicos, medicamentos orais e aplicações de toxina botulínica. A escolha depende da região afetada, da intensidade dos sintomas e da resposta individual de cada paciente.
Quando a cirurgia pode ser necessária?
A simpatectomia torácica por videotoracoscopia é uma alternativa para pacientes que não obtiveram melhora satisfatória com outros tratamentos ou não toleraram seus efeitos. O procedimento é utilizado principalmente em casos de suor excessivo nas mãos e nas axilas.
A cirurgia é realizada sob anestesia geral, por pequenas incisões no tórax, com auxílio de uma microcâmera. Durante o procedimento, o cirurgião interrompe a atividade de parte dos nervos responsáveis pelo controle da transpiração.
Segundo Leonardo Roeder, também cirurgião torácico do Hospital São Marcelino Champagnat, os resultados nas mãos costumam ser percebidos logo após a operação. A recuperação geralmente permite o retorno às atividades cotidianas entre cinco e sete dias, enquanto os exercícios físicos podem ser retomados entre 15 dias e três semanas, conforme orientação médica.
Cirurgia pode aumentar o suor em outras partes do corpo
Um dos principais riscos da simpatectomia é a hiperidrose compensatória, caracterizada pelo aumento da transpiração em regiões que antes não apresentavam o problema, como costas, abdômen e coxas.
Esse efeito pode ser mais frequente em pacientes com idade mais avançada ou índice de massa corporal (IMC) elevado. Por isso, a indicação cirúrgica exige avaliação individualizada e esclarecimento sobre os possíveis resultados e complicações.
"Mesmo com cortes pequenos, é uma cirurgia dentro do tórax. Por isso, precisa ser feita por um cirurgião torácico com experiência na técnica", explica Roeder.
Antes de considerar a operação, também é necessário descartar causas secundárias do suor excessivo, como alterações hormonais, infecções e efeitos de medicamentos. Quando a transpiração está relacionada a outra condição de saúde, o tratamento deve priorizar a causa identificada.
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