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Ciência e Tecnologia • 20:18h • 26 de junho de 2025

Supertelescópio divulga imagens do universo com resolução recorde

Rubin vai coletar mais dados que todos os outros observatórios juntos

Agência Brasil | Foto: Vera C. Rubim Obsevatory

As imagens divulgadas na segunda são uma prévia do trabalho que será feito ao longo dos próximos dez anos.
As imagens divulgadas na segunda são uma prévia do trabalho que será feito ao longo dos próximos dez anos.

Um vídeo composto por mais de 1 mil imagens que mostram cerca de 10 milhões de galáxias. Outro, mostra mais de 2 mil asteroides no Sistema Solar, onde está o planeta Terra, nunca antes vistos. Os vídeos revelam algumas das primeiras imagens do maior supertelescópio digital do mundo, que foram divulgadas na segunda-feira (23). Os registros foram captados pela equipe do projeto internacional Legacy Survey of Space and Time (LSST), instalado no Observatório Vera Rubin, no Chile.

Os primeiros registros mostram imagens da região de M49, no aglomerado de Virgem, localizado a cerca de 50 milhões de anos-luz da Terra, e da dupla de nebulosas Trífida e Lagoa, na galáxia onde está localizada a Terra.

O supertelescópio possui a maior câmera digital do mundo, uma gigante de 3,2 gigapixels, que pesa três toneladas e tem o tamanho de um carro de passeio, com oito metros de diâmetro.

O LSST é um megaprojeto astronômico liderado pelos Estados Unidos que vai tirar milhões de fotos de alta definição do céu. O projeto começou a ser idealizado na década de 1990, mas apenas em 2015 a construção do observatório começou de fato.

As imagens divulgadas na segunda são uma prévia do trabalho que será feito ao longo dos próximos dez anos. O Observatório Vera Rubin vai mapear todo o céu do Hemisfério Sul com uma precisão sem precedentes.

“É uma mudança de paradigma no jeito que a gente faz a ciência, e não só do ponto de vista da astronomia, mas da física e até da ciência de computação, porque nós vamos ter esse desafio de processar essa enorme quantidade de dados que vai ficar disponível para nós nesse período. É como se estivesse digitalizando o céu. É isso que nós vamos fazer”, explica o diretor do Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (LIneA), Luiz Nicolaci.

A quantidade de dados coletados pelo Observatório Rubin somente no primeiro ano de funcionamento será maior do que a coletada por todos os outros observatórios ópticos juntos.

Segundo Nicolaci, para se ter ideia, o último levantamento que foi feito também com o objetivo de estudar a energia escura contava com 400 milhões de objetos. “Agora nós vamos ter 40 bilhões de objetos”.

Objetos são estrelas, planetas, asteroides, entre outros. Os dados poderão ajudar cientistas a desvendar desde a natureza da matéria escura até os mistérios da origem do universo.

Participação brasileira

O Brasil faz parte do grupo de países que sediam centros com acesso direto aos dados produzidos pelo projeto. O LIneA, criado em 2006, é o responsável pela instalação, no país, do Centro Independente de Acesso a Dados (IDAC, na sigla em inglês), estrutura responsável por processar, analisar e distribuir dados do supertelescópio. São ao todo dez centros distribuídos entre América, Ásia, Europa e Oceania.

Pelo acordo firmado com os Departamento de Energia (DOE) dos Estados Unidos, o LIneA se comprometeu a operar uma estrutura capaz de: armazenar pelo menos 5 petabytes de dados; manter um banco de dados com capacidade de 500 terabytes para uso simultâneo de 50 usuários; e desenvolver softwares de alta performance para análise científica em tempo real. Em troca, 120 pesquisadores brasileiros poderão acessar os dados e estudá-los.

“O papel do Brasil é que a quantidade de dados é tão grande que vai ser impossível você distribuir esses dados para os pesquisadores individuais ou mesmo para os institutos em que esses pesquisadores trabalham. Então, todo o trabalho vai ser feito acessando esses dados em centros de acesso”, diz Nicolaci.

O LIneA está envolvido no projeto desde 2006. Recentemente, recebeu R$ 7 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Agora, de acordo com o diretor, busca recursos para o pagamento da equipe, são R$ 5 milhões por ano para pagar um pessoal extremamente especializado.

“Nós estamos indo uma profundidade cinco vezes maior do que o que já foi feito e além disso nós estamos observando objetos 15 vezes mais fracos. Então, a densidade de objetos que você observa é incomparável com qualquer coisa que a gente tinha obtido na Terra anteriormente. É realmente uma mudança de patamar da quantidade de dados e informações que a gente vai ter”, ressalta.

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