Saúde • 14:33h • 22 de julho de 2026
SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV
Farmanguinhos internaliza processo desde 2020 e aguarda aval da Anvisa
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Agência de Notícias da Aids/ Divulgação
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluiu o processo de transferência de tecnologia para a produção nacional do dolutegravir, principal medicamento utilizado no tratamento do HIV no Brasil e distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, mais de 770 mil pessoas utilizam o antirretroviral no país.
O medicamento foi desenvolvido pela ViiV Healthcare e, em 2020, a empresa firmou um acordo com o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) para nacionalizar gradualmente a produção destinada ao SUS.
Desde a assinatura do contrato, Farmanguinhos investiu na modernização da fábrica, aquisição de equipamentos, capacitação de profissionais e adequação dos processos técnicos e regulatórios necessários para assumir a fabricação do medicamento. Com a conclusão dessa etapa, o início do fornecimento ao SUS depende apenas da autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Desde 2022, o instituto já é responsável pela distribuição ao SUS de comprimidos produzidos em unidades da GSK, tendo fornecido mais de 739 milhões de cápsulas. Em 2025, Farmanguinhos também passou a realizar o controle de qualidade laboratorial do medicamento.
Produção nacional e próximos passos
Três lotes do dolutegravir já foram fabricados e validados pela Fiocruz e poderão ser distribuídos à rede pública assim que a Anvisa conceder a liberação necessária. Paralelamente, a instituição trabalha na validação da metodologia analítica do ingrediente farmacêutico ativo.
O acordo de transferência de tecnologia também prevê a produção nacional da combinação de dolutegravir com lamivudina, outro medicamento utilizado no tratamento do HIV e fornecido pelo SUS. A expectativa é que essa etapa seja iniciada no próximo ano.
O dolutegravir é considerado um dos principais antirretrovirais utilizados no mundo. O medicamento impede a multiplicação do vírus HIV ao bloquear a ação da enzima integrase, reduzindo a carga viral a níveis indetectáveis, fortalecendo o sistema imunológico e diminuindo o risco de progressão para a síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids). Além da alta eficácia, o tratamento é associado a poucos efeitos colaterais.
Desde 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o dolutegravir como opção preferencial para o tratamento de primeira e segunda linha de pessoas vivendo com HIV, incluindo gestantes e mulheres com potencial para engravidar.
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