Mundo • 14:35h • 22 de maio de 2025
SUS registra casos de atendimento a bebês reborn e debate chega ao Congresso
Casos de pessoas buscando atendimento médico para bonecos hiper-realistas reacendem discussões sobre acolhimento, saúde mental e responsabilidade no uso do sistema público de saúde
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da CFF | Foto: Divulgação
O Sistema Único de Saúde (SUS) tem registrado episódios que, à primeira vista, parecem improváveis, mas que refletem questões profundas da saúde mental contemporânea. Casos de pessoas buscando atendimento médico para bonecos hiper-realistas conhecidos como “bebês reborn” provocaram um intenso debate no país e levaram à apresentação de projetos de lei no Congresso Nacional. As propostas querem tanto proibir o uso do SUS para simulações como oferecer acolhimento psicológico às pessoas que desenvolvem vínculos afetivos intensos com esses objetos.
O assunto ganhou repercussão após um caso em Minas Gerais, onde uma mulher procurou um hospital alegando que seu bebê reborn estava com febre. Diante disso, o deputado Cristiano Caporezzo (PL-MG) propôs um projeto que prevê multas para quem tentar utilizar serviços públicos de saúde para esse tipo de situação. A penalidade pode chegar a 10 vezes o custo do atendimento. O texto ainda determina que os valores arrecadados sejam destinados a programas de saúde mental.
Especialistas, no entanto, reforçam que o tema não se encerra na responsabilização. Segundo psicólogos e parlamentares envolvidos no debate, há uma necessidade urgente de compreender o sofrimento por trás desse comportamento. A deputada Rosângela Moro (União-SP), por exemplo, defende que o SUS integre acolhimento psicossocial a essas pessoas, incorporando o tema à Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
Três projetos de lei tramitam na Câmara dos Deputados. Eles preveem desde a proibição de atendimentos médicos a bonecos em unidades públicas e privadas, até a aplicação de multas a quem usar os bebês reborn para obter benefícios como prioridade em filas e descontos. Uma das propostas também prevê o fortalecimento das políticas públicas em saúde mental, com escuta especializada e suporte às famílias.
Para os defensores das medidas, além de combater o uso indevido dos serviços públicos, é necessário olhar com empatia para quem desenvolve esses vínculos. Profissionais da saúde destacam que muitas vezes a busca por esse tipo de atendimento é apenas a ponta de um iceberg, revelando quadros de solidão, depressão ou luto não elaborados.
Na prática, farmacêuticos, enfermeiros e agentes comunitários de saúde estão frequentemente na linha de frente desses relatos, sendo os primeiros a identificar comportamentos que podem sinalizar sofrimento psíquico. Nesse contexto, a escuta qualificada é apontada como essencial.
A discussão também levanta questionamentos sobre os limites entre o lúdico, o terapêutico e o patológico. Se, de um lado, o uso dos reborns pode servir como estratégia de enfrentamento emocional, de outro, quando esse vínculo se sobrepõe à percepção da realidade, passa a demandar intervenção profissional.
O debate segue em andamento no Congresso. Enquanto isso, especialistas alertam que, além de discutir o uso adequado dos recursos públicos, o país precisa fortalecer urgentemente a rede de saúde mental, oferecendo não apenas tratamento, mas, principalmente, acolhimento e compreensão diante das novas formas de sofrimento que emergem na sociedade.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos