Saúde • 08:23h • 25 de junho de 2026
SUS volta a aplicar duas doses de reforço da vacina contra a pólio
Mudança vale a partir de agosto, por meio de vacina injetável
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
A partir de agosto, todas as crianças de 4 anos passarão a receber uma nova dose de reforço da vacina contra a poliomielite pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A medida retoma o esquema vacinal adotado até 2024, mas agora utilizando exclusivamente a vacina injetável, produzida com vírus inativado.
Até 2024, a imunização contra a poliomielite era composta por três doses da vacina injetável, aplicadas nos primeiros meses de vida, seguidas por duas doses de reforço da vacina oral, conhecida popularmente como “gotinha”. No entanto, o Ministério da Saúde optou por substituir totalmente a vacina oral devido ao risco, embora extremamente raro, de o vírus atenuado presente nela sofrer mutações e provocar a doença.
Com a atualização, o calendário vacinal passa a contar com cinco aplicações da vacina injetável: três doses aos 2, 4 e 6 meses de idade, responsáveis pela proteção inicial, e duas doses de reforço, aos 15 meses e aos 4 anos, para manter a imunidade elevada.
A orientação é que todas as crianças menores de 5 anos que ainda não tenham completado o esquema vacinal procurem uma unidade de saúde para verificar a necessidade de atualização da carteira de vacinação.
A mudança foi definida após recomendação da Câmara Técnica Assessora em Imunizações e oficializada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) em nota técnica divulgada na última semana. As novas regras entram em vigor em 3 de agosto.
Segundo a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabela Ballalai, as doses de reforço são importantes porque a proteção oferecida pela vacina diminui ao longo do tempo. Dessa forma, as aplicações adicionais garantem níveis adequados de imunidade contra a doença.
A especialista destaca que, embora a poliomielite esteja controlada no Brasil, surtos localizados registrados em outros países aumentam o risco de reintrodução do vírus. Por isso, a manutenção de dois reforços segue a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A vacinação é indicada principalmente para crianças menores de 5 anos, faixa etária mais vulnerável às formas graves da doença. Em situações de surto, porém, a imunização também pode ser recomendada para adultos.
O Brasil não registra casos de poliomielite há 37 anos e recebeu, em 1994, o certificado de área livre da circulação do vírus. Apesar disso, a doença ainda existe em algumas regiões do mundo, tornando a vacinação fundamental para evitar o retorno da enfermidade ao país.
Entre 1968 e 1989, o Brasil registrou mais de 26 mil casos de poliomielite. Embora muitas infecções provoquem sintomas leves, o vírus pode atingir o sistema nervoso central, causando paralisia permanente e até a morte. Por esse motivo, a doença também é conhecida como paralisia infantil.
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