Economia • 14:48h • 31 de julho de 2026
Tarifas dos EUA podem reduzir exportações e provocar efeitos em cidades como Assis; veja os impactos
Especialistas apontam que os efeitos das novas barreiras comerciais vão além das exportações e podem atingir transportadoras, tecnologia, varejo e prestação de serviços em cidades do interior
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da CNS | Foto: Arquivo/Âncora1
As novas tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros podem parecer um assunto distante da rotina de quem vive no interior paulista. No entanto, especialistas alertam que os reflexos da medida tendem a percorrer toda a cadeia econômica, chegando a empresas, trabalhadores e consumidores de cidades como Assis e de outras regiões do Estado de São Paulo.
Embora a cobrança recaia diretamente sobre produtos exportados, os efeitos indiretos podem atingir setores que empregam milhões de brasileiros, especialmente o de serviços, responsável por cerca de 60% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
Exportações menores podem desacelerar a economia
Segundo o estudo, os Estados Unidos respondem por cerca de 11% das exportações brasileiras, e a nova tarifa adicional de 25% poderá atingir aproximadamente US$ 15 bilhões em produtos brasileiros.
As estimativas indicam uma redução de até US$ 4,2 bilhões nas exportações e um impacto entre -0,10% e -0,26% no PIB brasileiro.
Isso significa menor competitividade para empresas exportadoras, redução do ritmo de produção, adiamento de investimentos e menor geração de empregos em diversos segmentos da economia.
Interior paulista também pode sentir os reflexos
Mesmo municípios que não exportam diretamente podem sofrer os efeitos da desaceleração econômica.
Regiões do interior de São Paulo possuem forte presença de empresas ligadas ao agronegócio, à indústria, ao transporte e à prestação de serviços. Quando uma indústria reduz sua produção ou adia investimentos, toda a cadeia econômica acaba sendo impactada.
Isso pode significar menos contratos para transportadoras, menor demanda por escritórios de contabilidade, engenharia, advocacia, marketing, tecnologia da informação e até redução do movimento em restaurantes, hotéis e no comércio local.
Serviços podem ser os mais afetados
Embora o setor de serviços não esteja entre os alvos diretos das tarifas norte-americanas, ele absorve grande parte dos efeitos provocados pela desaceleração econômica.
Na logística e no transporte, por exemplo, uma redução das exportações tende a diminuir o fluxo de cargas, armazenagem e movimentação de mercadorias.
Empresas de consultoria, auditoria, engenharia, certificação, comunicação e assessoria jurídica também podem enfrentar menor procura caso projetos de expansão sejam adiados.
No setor de tecnologia da informação, investimentos em transformação digital, implantação de sistemas e automação podem ser postergados diante do aumento da incerteza econômica.
Já o sistema financeiro pode observar maior procura por operações de proteção cambial e gestão de riscos, enquanto financiamentos e investimentos empresariais tendem a perder ritmo.
Comércio pode sentir redução do consumo
Os impactos também podem chegar ao bolso das famílias. Com menor atividade econômica e eventual redução da geração de empregos em setores ligados à exportação, o consumo tende a desacelerar.
Esse movimento pode atingir supermercados, lojas, restaurantes, hotéis, prestadores de serviços e diversos pequenos negócios espalhados pelo interior paulista.
Embora os efeitos variem de acordo com a intensidade das tarifas e da resposta da economia, especialistas destacam que cidades integradas às cadeias produtivas nacionais dificilmente ficam isoladas de mudanças desse porte.
Cenário também abre oportunidades
Apesar dos desafios de curto prazo, o estudo aponta caminhos para reduzir a dependência do mercado norte-americano.
Entre eles estão a ampliação das relações comerciais com Europa, Ásia, Oriente Médio e América Latina, o fortalecimento das exportações de serviços de tecnologia, engenharia, consultoria e finanças, além de investimentos em inovação e produtividade.
Os pesquisadores também trabalham com três cenários para 2026 e 2027.
No cenário otimista, o Brasil consegue diversificar mercados e manter o crescimento do setor de serviços. No cenário base, ocorre uma redução moderada das exportações acompanhada de desaceleração logística. Já no cenário pessimista, novas barreiras comerciais provocam queda mais acentuada da atividade exportadora e ampliam os impactos sobre a economia.
Para especialistas, acompanhar a evolução das negociações internacionais será fundamental para medir o alcance dessas mudanças, que podem começar nas exportações, mas têm potencial para chegar ao cotidiano de empresas e consumidores em todo o país, inclusive no interior de São Paulo.
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