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Variedades • 18:34h • 26 de maio de 2026

Tatuar sobre pintas e manchas pode esconder sinais de câncer de pele e atrasar diagnóstico

Dermatologistas alertam que lesões pigmentadas cobertas por tatuagens dificultam avaliação médica e podem mascarar alterações associadas ao melanoma

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1

Antes da tatuagem, dermatologistas recomendam atenção redobrada com manchas na pele
Antes da tatuagem, dermatologistas recomendam atenção redobrada com manchas na pele

A popularização das tatuagens trouxe uma preocupação crescente entre dermatologistas: o risco de esconder sinais importantes de câncer de pele ao tatuar sobre pintas, manchas escuras ou outras lesões pigmentadas. Embora a tatuagem não seja apontada como causa direta de melanoma, especialistas alertam que cobrir essas áreas pode dificultar o reconhecimento precoce de alterações suspeitas e atrasar diagnósticos importantes.

O alerta ganha força em um momento em que tatuagens passaram a ocupar diferentes faixas etárias e estilos de vida, muitas vezes sem que a pele seja avaliada antes do procedimento. Em muitos casos, o foco acaba concentrado apenas na estética, no desenho ou na higiene do estúdio, enquanto sinais cutâneos relevantes deixam de ser observados antes da aplicação da tinta.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda que qualquer pinta presente na área a ser tatuada seja analisada previamente por um especialista. Mudanças de cor, crescimento, assimetria, sangramento, dor, coceira ou bordas irregulares estão entre os principais sinais de alerta relacionados ao melanoma, considerado o tipo mais agressivo de câncer de pele.

Lesões podem virar “ponto cego” na pele

Segundo o dermatologista Dr. Matheus Rocha, o principal problema está na perda da capacidade de acompanhar visualmente a evolução da lesão após a tatuagem. “Quando uma pinta fica parcial ou totalmente coberta pela tatuagem, você perde a capacidade de observar com clareza se ela mudou. E, em dermatologia, perceber cedo uma alteração faz diferença direta no diagnóstico e no tratamento”, afirma.

O especialista explica que o cuidado deve existir mesmo quando a pinta parece estável há muitos anos. “Nem sempre a lesão suspeita chama atenção no começo. Às vezes, a mudança é sutil, progressiva, e a tatuagem cria uma barreira visual que dificulta essa leitura, tanto para o paciente quanto para o médico”, diz.

Além de esconder alterações suspeitas, tatuagens também podem provocar reações próprias do procedimento, como inflamações, alergias, cicatrizes, granulomas, infecções e irritações locais. Quando esses efeitos acontecem sobre uma área já marcada por lesão pigmentada, a interpretação clínica pode ficar ainda mais difícil.

Sinais que merecem atenção antes da tatuagem

Dermatologistas orientam que áreas com manchas ou pintas sejam avaliadas antes de qualquer procedimento estético, principalmente quando o sinal apresenta características diferentes do restante da pele.

Os especialistas recomendam atenção maior quando a lesão:

  • mudou de tamanho;
  • apresenta assimetria;
  • possui várias cores;
  • coça, dói ou sangra;
  • ou parece diferente das demais pintas do corpo.

Para Dr. Matheus Rocha, o crescimento do mercado de tatuagens precisa vir acompanhado de maior conscientização sobre saúde cutânea. “A pessoa costuma se preocupar com a esterilização do material, o que é correto, mas muitas vezes esquece de olhar para a própria pele antes do procedimento. Se existe uma pinta no local, ela precisa ser examinada antes de ser escondida”, afirma.

Câncer de pele segue entre os mais frequentes no Brasil

O tema também ganha relevância diante dos números nacionais relacionados ao câncer de pele. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 263 mil novos casos anuais de câncer de pele não melanoma entre 2026 e 2028. Já o melanoma, embora menos frequente, continua sendo considerado o tipo mais grave devido ao maior potencial de disseminação.

Nesse cenário, especialistas afirmam que a segurança relacionada às tatuagens não deve envolver apenas esterilização, qualidade da tinta e técnica aplicada, mas também avaliação cuidadosa da pele antes do procedimento.

Segundo Dr. Matheus Rocha, a prioridade deve ser sempre a análise médica da lesão antes de qualquer decisão estética. “Se há uma pinta, ela não deve ser tatuada por impulso. Primeiro vem a avaliação da pele. Depois, se estiver tudo certo, a decisão estética. Em dermatologia oncológica, enxergar cedo faz toda a diferença”, afirma.

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