Saúde • 07:57h • 13 de junho de 2025
Técnica com mRNA renova esperança de cura para o HIV
Embora a eliminação completa do vírus não tenha sido alcançada, a reativação bem-sucedida da forma latente é vista como um passo essencial rumo à cura
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do CFF | Foto: Arquivo Âncora1
Uma colaboração internacional entre cientistas da Austrália, Estados Unidos e Holanda está oferecendo nova esperança na luta contra o HIV. Utilizando a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) — a mesma aplicada em vacinas contra a Covid-19 —, os pesquisadores desenvolveram uma estratégia promissora para combater o vírus em sua forma latente, grande obstáculo à erradicação da infecção. Os resultados iniciais foram divulgados em maio na revista Nature Communications.
Embora os antirretrovirais consigam suprimir a carga viral no sangue, o HIV possui a capacidade de se manter inativo dentro das células T CD4+, uma espécie de "modo de espera" que o torna invisível tanto ao sistema imunológico quanto aos tratamentos tradicionais. Quando a terapia é interrompida, o vírus se reativa, reiniciando sua multiplicação — um dos principais entraves para a cura definitiva.
A nova abordagem utiliza moléculas de mRNA programadas para instruir células infectadas a produzir a proteína Tat, que desempenha papel fundamental na reativação do HIV. Para garantir que essas instruções alcancem o interior das células, os cientistas encapsularam o mRNA em nanopartículas lipídicas, estruturas microscópicas compostas por gordura.
Essa técnica “acorda” o vírus dormente, tornando-o identificável para que o sistema imune ou tratamentos complementares possam destruí-lo.
CRISPR como alternativa de precisão
Além do mRNA, os pesquisadores também testaram o uso da tecnologia CRISPR, normalmente empregada para edição genética. Neste estudo, ela foi adaptada para ativar o DNA do HIV sem realizar cortes. Apesar de menos eficaz na reativação viral em comparação à proteína Tat, o método se destacou pela alta precisão, afetando apenas os genes-alvo, sem comprometer células saudáveis.
Avanços promissores, mas ainda iniciais
Os experimentos foram conduzidos com células sanguíneas de pessoas com HIV em ambiente laboratorial. Embora a eliminação completa do vírus não tenha sido alcançada, a reativação bem-sucedida da forma latente é vista como um passo essencial rumo à cura.
Potencial além do HIV
Os cientistas destacam que a técnica pode ter aplicações além do tratamento da aids. Como os glóbulos brancos desempenham papel em diversas condições, como alguns tipos de câncer e doenças autoimunes, a tecnologia com mRNA e nanopartículas pode abrir caminhos terapêuticos inovadores. As próximas fases incluem testes em modelos animais e, posteriormente, ensaios clínicos em humanos, para avaliar a eficácia e segurança do método em larga escala.
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