Ciência e Tecnologia • 18:39h • 14 de julho de 2026
Tecnologia brasileira já identificou 320 mil crianças e ajuda a prevenir trocas e desaparecimentos
Leitor biométrico desenvolvido no Paraná consegue registrar digitais desde as primeiras horas de vida e já atua em nove estados brasileiros
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da PG1 | Foto: Divulgação
Uma tecnologia brasileira de biometria infantil já realizou mais de 320 mil coletas de crianças de 0 a 7 anos e começa a ampliar uma rede de identificação voltada à prevenção de trocas de bebês, sub-registros e outros crimes relacionados à infância. Desenvolvida pela startup Infant.ID, a solução está homologada em nove estados e consegue capturar impressões digitais desde as primeiras horas de vida.
O avanço ocorre em um cenário de preocupação com o desaparecimento de crianças e adolescentes. Em 2025, o Brasil registrou uma média de 66 desaparecimentos por dia nessa faixa etária, segundo dados do Ministério da Justiça.
A tecnologia é utilizada em diferentes estágios nos estados onde já recebeu homologação, desde testes até operações em larga escala. Mato Grosso e Piauí estão entre os locais onde os equipamentos já fazem parte da rotina de postos de identificação, cartórios, prefeituras e hospitais.
Por que leitores comuns têm dificuldade com bebês?
Desde 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente prevê a identificação de recém-nascidos e a vinculação dos bebês às mães. O desafio está nas características das impressões digitais nos primeiros anos de vida.
Leitores biométricos convencionais podem apresentar limitações para registrar digitais infantis devido à densidade e à nitidez das impressões nessa faixa etária. A Infant.ID começou a pesquisar uma solução para esse problema em 2012.
O equipamento desenvolvido pela empresa utiliza ultrarresolução dez vezes superior à de leitores convencionais, segundo a startup, permitindo a captura das digitais desde as primeiras horas após o nascimento.
Tecnologia nasceu no interior do Paraná
Todo o sistema, do hardware ao software, é desenvolvido no Brasil. Os leitores são produzidos em fábrica própria em Pato Branco, no interior do Paraná, e enviados para diferentes regiões do país.
A empresa também trabalha em parceria com mais de 30 pesquisadores da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, a UTFPR, em estudos relacionados à biometria avançada.
Segundo José Ricardo Tobias, diretor-executivo da Infant.ID, a expansão nacional ainda depende de processos realizados individualmente pelos estados. “A demanda é nacional, mas como ainda não existe uma normativa federal consolidada, a tecnologia precisa ser homologada estado por estado”, explica.
Biometria pode acompanhar identificação ao longo da vida
Os dados coletados não ficam sob custódia da startup. A responsabilidade pertence aos estados, que podem integrar sistemas hospitalares, institutos de identificação e órgãos públicos, incluindo polícias civis e estruturas de controle de fronteiras.
A proposta é permitir que a identidade biométrica registrada ainda na infância seja utilizada para fortalecer a identificação civil e a proteção da criança ao longo dos anos.
A tecnologia possui certificações do FBI para uso civil e forense e do National Institute of Standards and Technology, o NIST, órgão norte-americano responsável por padrões técnicos e de segurança. Segundo a Infant.ID, trata-se da única solução infantil do mundo com esse conjunto de certificações.
Do Brasil para outros países
Leitores desenvolvidos no Paraná já foram apresentados em iniciativas no Oriente Médio, América Latina e África. A meta da empresa é iniciar, até o fim de 2026, a implantação comercial da tecnologia em um país onde o processo de homologação está em estágio avançado.
“Nosso trabalho é garantir que todas as crianças tenham acesso à cidadania e proteção, construindo um legado de segurança e esperança para o futuro”, afirma Tobias.
Com mais de 320 mil coletas realizadas e presença em nove estados, a biometria infantil desenvolvida no Brasil mostra como uma impressão digital registrada ainda nas primeiras horas de vida pode se transformar em uma ferramenta de identificação e proteção da infância.
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