Responsabilidade Social • 12:14h • 30 de maio de 2026
Tecnologia com laser ajuda a reduzir riscos e melhorar poda de árvores urbanas
Varredura fornece dados para um algoritmo calcular equilíbrio da árvore no computador e definir como vai ser feita a poda em áreas urbanas
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Rafaela Redin-PMPA
Uma conversa informal entre dois pesquisadores da Universidade de São Paulo deu origem ao desenvolvimento de um sistema que promete tornar a poda de árvores urbanas mais eficiente e segura. A tecnologia utiliza feixes de laser para escanear árvores e gerar modelos digitais capazes de indicar quais galhos podem ser removidos sem comprometer a estabilidade da estrutura.
O funcionamento do mecanismo foi detalhado em um artigo publicado na revista científica Trees e já começa a ser testado na cidade de São Paulo.
Segundo o professor Marcos Silveira Buckeridge, do Instituto de Biociências da USP, a ideia surgiu durante uma conversa com o engenheiro Emílio Carlos Nelli Silva, da Escola Politécnica da universidade, diante de uma árvore em um restaurante da capital paulista.
O objetivo do estudo foi criar um sistema computacional capaz de orientar podas urbanas de forma mais precisa, reduzindo o risco de quedas de árvores durante eventos climáticos extremos, como temporais e ventos fortes.
A pesquisa focou na tipuana (Tipuana tipu), uma das espécies mais comuns nas ruas paulistas. Apesar de resistente ao ambiente urbano, a árvore pode se tornar mais vulnerável quando passa por podas excessivas ou mal planejadas.
Laser cria modelo digital da árvore
A tecnologia utiliza um equipamento com sistema LiDAR, método de escaneamento que funciona por meio de pulsos de laser. Os feixes atingem troncos, galhos e copas e retornam ao sensor, permitindo reconstruir digitalmente a árvore em três dimensões.
Com essas informações, os pesquisadores conseguem analisar o volume, a distribuição dos galhos, a inclinação da copa e até a forma como a árvore reage à força do vento.
Os dados alimentam algoritmos e modelos matemáticos capazes de simular deformações estruturais e apontar áreas mais vulneráveis, ajudando equipes de arborização urbana a decidir quais intervenções podem ser feitas com menor risco.
De acordo com os pesquisadores, podas realizadas sem critérios técnicos podem alterar o equilíbrio natural da árvore, aumentando as chances de quebra ou tombamento.
A expectativa é que a ferramenta possa auxiliar prefeituras, concessionárias de energia e equipes responsáveis pelo manejo urbano, permitindo identificar árvores com maior risco e planejar podas menos agressivas.
Para ampliar o uso da tecnologia, os pesquisadores defendem a automatização de etapas do processo e a integração do sistema aos inventários de arborização urbana já existentes.
Atualmente, um projeto em andamento em São Paulo realiza o escaneamento das árvores das ruas da capital, e a nova ferramenta poderá ajudar na avaliação das condições estruturais e no planejamento do manejo arbóreo.
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