Ciência e Tecnologia • 14:09h • 14 de janeiro de 2026
Tecnologia criada na Fatec Zona Leste amplia autonomia de pessoas com deficiência visual
Sistema SecondVision interpreta placas fixas e identifica obstáculos, contribuindo para mobilidade mais segura de cegos e pessoas com baixa visão
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do Governo de SP | Foto: Divulgação
Um grupo de estudantes da Fatec Zona Leste desenvolveu uma tecnologia assistiva voltada a ampliar a autonomia e a segurança de pessoas com deficiência visual. O sistema, batizado de SecondVision, utiliza visão computacional e dispositivos vestíveis para interpretar sinalizações fixas e identificar obstáculos, transmitindo as informações por áudio ao usuário.
O projeto foi criado pelos alunos Gustavo Mendes Ventieri, Pedro Fernandes Araújo e Tiago Bryan Ramos de Oliveira, do curso de Desenvolvimento de Sistemas, sob orientação dos professores Jeferson Roberto Lima e Rogério Costa. A iniciativa busca enfrentar um dos principais desafios enfrentados por cegos e pessoas com baixa visão, a mobilidade segura em ambientes urbanos.
Segundo Tiago Bryan Ramos de Oliveira, pessoas com deficiência visual enfrentam riscos elevados no dia a dia. “Deficientes visuais têm uma taxa de mortalidade significativamente maior quando comparados a outros grupos de pessoas com deficiência. Isso impacta diretamente a mobilidade, o autocuidado e a participação social”, afirma.
Como funciona o SecondVision
O SecondVision é composto por uma câmera acoplada a um colete, conectada a um sistema de Internet das Coisas integrado à computação em nuvem. As imagens captadas são processadas por uma inteligência artificial treinada pelos próprios estudantes, que identifica obstáculos físicos e lê textos impressos em placas estáticas.
As informações são enviadas ao celular do usuário via bluetooth e reproduzidas por meio de áudio. Dessa forma, a pessoa consegue se orientar mesmo em locais desconhecidos, identificando elementos como postes, veículos, irregularidades no piso e sinalizações fixas.
De acordo com Pedro Fernandes Araújo, o foco foi garantir usabilidade e acessibilidade. “Tudo o que o sistema identifica é convertido em informação sonora, permitindo que o usuário compreenda o ambiente ao redor sem depender de terceiros”, explica.
Tecnologia acessível e de baixo custo
Além do sistema de visão computacional, os estudantes também desenvolveram um estojo protetor para o equipamento utilizando impressão 3D. A estratégia reduz custos de produção e contribui para tornar a solução mais acessível, fator essencial quando se trata de tecnologia assistiva.
O projeto foi apresentado na Feira Tecnológica do Centro Paula Souza, principal evento de inovação e empreendedorismo das Etecs e Fatecs do estado, vinculadas ao Centro Paula Souza.
Inclusão e responsabilidade social
Para Gustavo Mendes Ventieri, o SecondVision vai além da inovação tecnológica. “A proposta promove inclusão e equidade ao contribuir para a efetivação do Estatuto da Pessoa com Deficiência, que garante independência, cidadania e participação social”, afirma.
O projeto está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU, especialmente os ODS 3, 8 e 10, que tratam de saúde e bem-estar, trabalho decente e redução das desigualdades.
A iniciativa evidencia o papel das instituições públicas de ensino tecnológico no desenvolvimento de soluções aplicadas a problemas sociais concretos, aproximando inovação, acessibilidade e impacto social.
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