Responsabilidade Social • 07:29h • 21 de maio de 2026
Temperatura na cidade de São Paulo aumenta mais do que a média global
Fenômeno que está relacionado à substituição da vegetação por materiais como asfalto, concreto e alvenaria agrava o aquecimento, aponta pesquisador da USP em evento promovido por FAPESP e NWO
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
As temperaturas mínimas e máximas na cidade de São Paulo têm aumentado em ritmo superior à média global nos últimos 125 anos. Enquanto a temperatura média do planeta subiu cerca de 1,2°C desde 1900, na capital paulista a temperatura máxima diária aumentou 2,4°C e a mínima teve alta de 2,8°C desde o início do século 20.
Os dados foram apresentados pelo professor Humberto Ribeiro da Rocha, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), durante evento promovido pela Fapesp e pela Organização Neerlandesa para Pesquisa Científica (NWO). Segundo o pesquisador, o aumento das temperaturas se intensificou principalmente a partir da década de 1950.
De acordo com os estudos, a principal explicação para esse cenário é o fenômeno das ilhas de calor urbanas, causado pela substituição de áreas verdes por asfalto, concreto e construções. Isso faz com que as cidades acumulem mais calor e registrem temperaturas mais elevadas.
Pesquisadores analisaram dados de temperatura de superfície em 70 cidades paulistas entre 2013 e 2025, utilizando imagens de satélite do programa Landsat, da Nasa. Os resultados mostram que, no verão, áreas urbanizadas da Grande São Paulo chegam a registrar temperaturas de até 60°C, especialmente em regiões industriais. Já locais com maior presença de vegetação e corpos d’água apresentam temperaturas em torno de 25°C.
O estudo também apontou que, durante o verão, áreas mais urbanizadas da região metropolitana ficaram entre 7°C e 12°C mais quentes do que regiões com maior cobertura vegetal.
Ondas de calor e impactos nas cidades
Os pesquisadores também passaram a monitorar os efeitos das ondas de calor na Região Metropolitana de São Paulo por meio de estações meteorológicas instaladas em ruas, escolas e residências.
As análises mostram que, nos últimos 15 anos, as ondas de calor têm provocado tardes com temperaturas entre 30°C e 34°C em diferentes pontos da região. À noite, por volta das 22h, os termômetros ainda registram cerca de 28°C.
Segundo Humberto Ribeiro da Rocha, esse cenário é preocupante porque afeta diretamente o descanso da população. Em muitas residências, principalmente sem isolamento térmico adequado, o calor acumulado durante o dia permanece dentro dos imóveis durante a noite.
Os pesquisadores destacam que o aumento da vegetação urbana pode ajudar a reduzir as temperaturas. Estudos realizados na Grande São Paulo mostram que ruas arborizadas podem registrar temperaturas até 7°C menores em comparação com áreas totalmente urbanizadas.
A chamada “solução baseada na natureza”, como o aumento de áreas verdes e o plantio de árvores, é apontada pelos cientistas como uma alternativa viável para amenizar os efeitos do calor extremo nas cidades paulistas.
Durante o evento, especialistas também reforçaram a relação entre o aquecimento das cidades e as mudanças climáticas globais. A ex-vice-presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), Thelma Krug, afirmou que a influência humana no aumento das temperaturas é clara e vem acelerando desde a década de 1950.
Segundo ela, as cidades terão papel central nas estratégias de adaptação e combate às mudanças climáticas nos próximos anos.
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