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Gastronomia & Turismo • 09:22h • 28 de agosto de 2026

Temporada de amoras chega a Assis com árvores carregadas e sabores que surpreendem

Do verde ao quase preto, frutos começam a amadurecer em parques e bosques; variedades encontradas pela reportagem do Âncora1 mostram que tamanho nem sempre significa mais doçura

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Foto: Âncora1®

Temporada de amoras começa a colorir Assis e transforma passeios pela cidade em convite para provar a fruta
Temporada de amoras começa a colorir Assis e transforma passeios pela cidade em convite para provar a fruta

Quem circula pelos parques, bosques e áreas verdes de Assis nos últimos dias de agosto já pode perceber uma mudança entre as folhas: a temporada de amoras está chegando. Em percursos pela cidade, a reportagem do Âncora1 encontrou amoreiras em diferentes estágios de frutificação, com exemplares ainda verdes, outros rosados e vermelhos e os primeiros frutos chegando àquela tonalidade escura, quase preta, que anuncia o amadurecimento.

É uma temporada relativamente simples, mas que tem uma relação especial com a vida no interior. A amora aparece em árvores espalhadas pela cidade e pode ser consumida diretamente do pé quando madura, além de virar sucos, sorvetes, geleias e diferentes sobremesas. Entre as possibilidades estão tortas de frutas, inclusive receitas de inspiração alemã, nas quais a amora divide espaço com preparos tradicionais feitos com maçã, como tortas e strudels.

Além do sabor, a fruta reúne características nutricionais que tornam a temporada ainda mais interessante. A amora é fonte de fibras, vitamina C, vitamina K e antioxidantes, nutrientes associados ao funcionamento do intestino, à saúde dos ossos e à proteção das células contra a ação dos radicais livres.


Gigante no tamanho, mas não necessariamente no sabor

É justamente observando as árvores que a temporada reserva uma pequena surpresa. As amoras encontradas em Assis variam bastante: há desde frutos de tamanho mais conhecido até variedades muito maiores, algumas chegando aproximadamente ao dobro do tamanho das tradicionais.

As gigantes chamam atenção imediatamente, são mais firmes e podem apresentar menor quantidade de líquido, mas isso não significa necessariamente que sejam mais doces ou saborosas. Em algumas amoreiras, são justamente os frutos menores que apresentam doçura mais pronunciada quando chegam ao ponto ideal de maturação.

A diferença serve como lembrete para quem encontra uma árvore carregada ou pensa em cultivar uma em casa: escolher apenas pelo tamanho do fruto pode não entregar o sabor esperado. Com as amoras, aquela velha ideia de que os melhores perfumes podem estar nos menores frascos também encontra uma versão comestível.


Pequena no tamanho e interessante na alimentação

A presença de fibras faz da amora uma aliada do funcionamento intestinal, já que contribui para aumentar o volume das fezes e pode ajudar no combate à prisão de ventre. As fibras também favorecem a saciedade, enquanto a fruta apresenta poucas calorias, combinação interessante para quem busca uma alimentação equilibrada e controle do peso.

A amora também possui baixo índice glicêmico e pode integrar uma alimentação voltada ao controle da glicose. Isso não significa, porém, que a fruta isoladamente previna ou trate o diabetes, mas suas características nutricionais permitem incluí-la em uma dieta equilibrada.

Os antioxidantes presentes na fruta ajudam a combater a ação dos radicais livres, relacionados ao envelhecimento celular, enquanto a vitamina K participa de processos importantes para a saúde óssea e para o aproveitamento adequado do cálcio pelo organismo.

As folhas da amoreira também são tradicionalmente utilizadas no preparo de chás, inclusive por mulheres durante a menopausa. Embora sejam associados popularmente ao alívio de sintomas como os fogachos, o uso com finalidade terapêutica merece orientação profissional e não deve substituir tratamentos ou acompanhamento de saúde.


Do verde ao vinho: a cor conta a história da amora

A própria árvore oferece pistas visuais sobre o amadurecimento. Os frutos passam por uma sequência de cores bastante perceptível. Surgem verdes, avançam para tons rosados, tornam-se vermelhos e, conforme amadurecem, chegam a um vermelho muito escuro, próximo do vinho e do preto.

É nesse estágio final que a fruta alcança seu ponto de consumo. Em uma mesma amoreira, é comum encontrar várias dessas fases simultaneamente, criando cachos com diferentes cores e mostrando que nem todos os frutos amadurecem ao mesmo tempo.

Essa característica também prolonga a experiência de quem tem uma árvore por perto. Em vez de toda a produção chegar ao ponto de uma só vez, novos frutos vão amadurecendo enquanto outros ainda percorrem as primeiras etapas.

Um galhinho pode virar uma nova amoreira

Para quem gosta da ideia de colher amoras no próprio quintal, a facilidade de propagação da planta é outro atrativo. Uma das formas utilizadas é aproveitar a ponta de um galho novo, com cerca de 10 a 15 centímetros, colocá-la em água e fazer trocas periódicas enquanto se aguarda o desenvolvimento das raízes.

Depois de enraizada, a muda pode ser transferida para a terra e começar seu próprio desenvolvimento. É um processo que exige paciência já que a experiência de cultivo mostra que a árvore pode levar cerca de quatro a cinco anos para ganhar corpo e começar a produzir frutos, embora esse tempo possa variar de uma planta para outra.

Antes de escolher o galho, vale observar a amoreira de origem. Se a intenção é reproduzir uma árvore pela qualidade dos frutos, experimentar a amora antes pode evitar uma escolha baseada somente na aparência. Uma fruta enorme pode ser visualmente impressionante, enquanto outra bem menor pode conquistar justamente pela doçura.

Uma temporada para observar, colher e levar para a cozinha

Entre o final de agosto e a chegada de setembro, a mudança de cor dos frutos anuncia mais uma temporada de amoras em Assis. Para quem já conhece uma amoreira carregada, é época de acompanhar o amadurecimento. Para quem nunca reparou nelas, os passeios por áreas verdes da cidade podem ganhar um novo detalhe.

E a experiência não precisa terminar no fruto recém-colhido. As amoras maduras podem seguir para o liquidificador, para uma geleia, um sorvete ou uma torta, fazendo uma fruta encontrada com facilidade no interior ganhar diferentes versões à mesa.

Para quem tem espaço e disposição para esperar alguns anos, ainda existe a possibilidade de começar uma nova árvore a partir de um pequeno galho. A temporada passa, mas uma muda cultivada agora pode transformar esse costume de fim de inverno em uma futura colheita dentro do próprio quintal.

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