Economia • 13:08h • 20 de junho de 2026
Tentativas de fraude digital crescem 36,6% e chegam a uma ocorrência a cada 5 segundos no Brasil
Levantamento da Serasa Experian mostra avanço dos golpes em cadastros digitais, aumento de grupos organizados de fraude e uso crescente de inteligência artificial por criminosos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Serasa | Foto: Divulgação
As tentativas de fraude digital continuam avançando no Brasil. Um levantamento da Serasa Experian identificou quase 1,5 milhão de tentativas de fraude em processos de cadastro e validação de identidade apenas no primeiro trimestre de 2026. O volume representa crescimento de 36,6% em relação ao mesmo período do ano passado e equivale, em média, a uma tentativa de golpe a cada cinco segundos.
Os dados fazem parte da primeira edição do Mapa da Fraude, estudo criado pela empresa para monitorar o comportamento dos criminosos em diferentes etapas da jornada digital. Além das fraudes relacionadas à identidade, o levantamento também identificou mais de 19 milhões de mensagens associadas a golpes e mais de 368 mil tentativas de fraude no comércio eletrônico durante os três primeiros meses do ano.
Segundo Eric Dhaese, vice-presidente de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian, os golpes deixaram de ocorrer de forma isolada e passaram a integrar um ecossistema cada vez mais sofisticado.
"O fraudador não atua de forma linear. Ele pode começar com uma mensagem de isca, utilizar dados de terceiros, tentar abrir um cadastro digital, fraudar uma identidade ou partir diretamente para uma transação financeira. O objetivo do estudo é justamente mostrar como essas tentativas se conectam ao longo da jornada digital", explica.
Setor financeiro concentra maior parte das ocorrências
Entre as tentativas de fraude relacionadas à identidade digital, cerca de seis em cada dez ocorreram em empresas do setor financeiro, incluindo bancos, operadoras de cartão, meios de pagamento e instituições de crédito.
O levantamento aponta que os segmentos mais visados foram: Meios de pagamento; Telefonia; Bancos e cartões.
A Serasa Experian estima que, caso essas fraudes não fossem bloqueadas, os prejuízos poderiam chegar a quase R$ 2 bilhões apenas nos três primeiros meses do ano.
No recorte regional, o Sudeste concentrou 38,5% das ocorrências registradas no país. São Paulo liderou o ranking nacional, respondendo sozinho por quase 16% das tentativas identificadas.

Golpes estão mais organizados
Outro dado que chamou a atenção dos pesquisadores foi o crescimento de grupos dedicados à disseminação de conteúdo fraudulento. Segundo o estudo, houve aumento de 139% no número de comunidades, grupos e redes utilizadas para compartilhar golpes, ferramentas e estratégias criminosas.
Ao longo do trimestre, a empresa identificou: Mais de 19,7 milhões de mensagens associadas a golpes; Mais de 10 mil anúncios, perfis, páginas e aplicativos falsos; Quase 2 mil grupos voltados à circulação de conteúdo fraudulento.
Para a Serasa Experian, o cenário demonstra que os golpes digitais estão cada vez mais estruturados e organizados, deixando de depender apenas de ações individuais.
Comércio eletrônico também segue na mira
No e-commerce, foram registradas mais de 368 mil tentativas de fraude no período analisado, o equivalente a uma ocorrência a cada 21 segundos.
O valor potencial preservado pelas soluções antifraude ultrapassou R$ 337 milhões. Segundo o levantamento, os criminosos costumam priorizar compras de maior valor, com ticket médio das tentativas de fraude chegando a R$ 917, valor cerca de 62% superior ao das compras legítimas.
As categorias com maior número de ocorrências foram: Beleza; Calçados; Saúde.
Já os segmentos considerados mais vulneráveis ao risco de fraude foram: Celulares; Acessórios eletrônicos; Eletrônicos.

Inteligência artificial amplia preocupação
Entre as tendências observadas para os próximos meses, a Serasa Experian destaca o crescimento do uso indevido de inteligência artificial em golpes digitais.
Segundo o estudo, criminosos têm utilizado ferramentas capazes de produzir mensagens mais convincentes, criar perfis falsos sofisticados e desenvolver conteúdos manipulados com aparência cada vez mais realista.
Também ganham força práticas como: Fraude como serviço (Fraud as a Service); Criação de identidades sintéticas; Deepfakes com uso indevido de figuras públicas; Golpes personalizados baseados em engenharia social.
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