Ciência e Tecnologia • 18:26h • 22 de abril de 2026
Ter ideia com IA é fácil, difícil é tirar do papel e os dados mostram isso
Estudo mostra que uso ainda é básico na maioria dos casos e aponta falta de conhecimento técnico como principal barreira
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Divulgação
A maioria dos profissionais brasileiros já teve ideias para criar soluções com inteligência artificial, mas enfrenta dificuldades para colocá-las em prática. Um estudo da escola de negócios Conquer revela que 88% dos entrevistados já pensaram em desenvolver produtos, automações ou projetos com IA, porém esbarraram na execução. O levantamento ouviu profissionais de diferentes áreas e regiões do país e aponta um descompasso entre o potencial criativo e a aplicação prática da tecnologia no ambiente de trabalho.
Apesar da presença crescente da IA na rotina corporativa, o uso ainda se concentra em tarefas básicas. Segundo os dados, 56,6% dos profissionais se consideram usuários iniciais, utilizando ferramentas como ChatGPT principalmente para gerar textos, ideias ou responder perguntas. Outros 26,4% avançam um pouco mais, explorando automações simples, enquanto apenas 11,6% afirmam criar soluções estruturadas com a tecnologia.
Uso cresce, mas ainda é limitado
A pesquisa indica que a adoção da IA já está consolidada em muitas empresas. Cerca de 41% dos profissionais utilizam essas ferramentas há mais de um ano, enquanto 30,4% têm entre seis meses e um ano de experiência. Mesmo assim, o avanço para aplicações mais estratégicas ainda é restrito.
Entre os usos mais comuns no trabalho, a geração de conteúdo lidera com 55,8%, seguida por análise e extração de dados, com 47,2%. A tecnologia também aparece no apoio à organização de tarefas, citada por 44,4% dos entrevistados, e no atendimento ao cliente, com 38,2%. A integração entre ferramentas, etapa mais avançada, ainda é menos frequente, com 31,2%.

Por que a execução ainda trava
O principal obstáculo apontado pelos profissionais é a falta de conhecimento técnico, mencionada por 41% dos entrevistados. Em seguida aparecem preocupações com segurança de dados, com 35%, e a dificuldade de escolher as ferramentas adequadas, com 32%. A falta de tempo no dia a dia, com 28,2%, e a ausência de incentivo das empresas, com 21,6%, também aparecem como fatores relevantes.

Esse conjunto de barreiras ajuda a explicar por que muitos profissionais permanecem no uso básico da tecnologia, mesmo reconhecendo seu potencial. O resultado é um cenário em que ideias surgem, mas não avançam para soluções concretas.
Pressão por novas habilidades
O estudo também aponta uma mudança de expectativa no mercado de trabalho. Para 80% dos entrevistados, profissionais que apenas utilizam IA tendem a perder espaço para aqueles que conseguem estruturar, desenvolver e aplicar soluções com a tecnologia.

Segundo Juliana Alencar, diretora de Marketing da Conquer, a evolução nesse cenário passa pelo desenvolvimento de novas competências. Ela destaca que ferramentas no-code e low-code podem reduzir barreiras técnicas e ampliar o acesso à criação de soluções, mesmo para quem não tem formação em programação.
Com a IA cada vez mais integrada ao ambiente corporativo, o desafio deixa de ser apenas usar a tecnologia e passa a envolver a capacidade de transformar ideias em projetos aplicáveis. Nesse contexto, a qualificação contínua tende a se tornar um diferencial para profissionais que buscam se manter competitivos.
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