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Saúde • 16:09h • 19 de julho de 2026

Termogênicos prometem emagrecer, mas podem provocar arritmias, ansiedade e até AVC

Suplementos ganharam espaço entre frequentadores de academias, porém o uso sem orientação pode causar arritmias, ansiedade, hipertensão e outras complicações graves

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Tree Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1

Uso de termogênicos cresce entre jovens e preocupa médicos por efeitos no coração e na mente
Uso de termogênicos cresce entre jovens e preocupa médicos por efeitos no coração e na mente

A promessa de acelerar o metabolismo e emagrecer mais rápido tem levado milhares de brasileiros a consumir suplementos termogênicos sem orientação profissional. Embora sejam facilmente encontrados no mercado, médicos alertam que esses produtos estão longe de ser inofensivos e podem provocar efeitos graves, principalmente quando utilizados por conta própria.

O aumento do consumo preocupa especialistas e órgãos de saúde, especialmente entre jovens e praticantes de atividade física que buscam resultados rápidos. Enquanto isso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforça a fiscalização para impedir a comercialização de substâncias proibidas e produtos adulterados.

O que são os termogênicos?

Os termogênicos são suplementos formulados com ingredientes que estimulam o metabolismo e aumentam temporariamente o gasto energético do organismo. Entre os componentes mais comuns estão altas doses de cafeína e outras substâncias estimulantes.

Apesar da popularidade, o endocrinologista Dr. Joé Sestello alerta que o efeito sobre o emagrecimento costuma ser limitado quando comparado aos riscos do uso indiscriminado.

"Os termogênicos podem parecer uma solução mágica, mas, na prática, representam uma ameaça silenciosa à saúde. O aumento metabólico que eles provocam é mínimo e passageiro, enquanto os efeitos colaterais podem ser devastadores", afirma.

Problemas cardíacos e crises de ansiedade estão entre os riscos

Hospitais brasileiros continuam registrando atendimentos de pessoas que apresentaram arritmias, hipertensão, palpitações, ansiedade intensa e outros problemas após o consumo desses suplementos.

Em casos mais graves, há relatos de eventos cardiovasculares e acidentes vasculares cerebrais associados ao uso abusivo de estimulantes.

Os riscos aumentam ainda mais para pessoas com doenças cardíacas, hipertensão, transtornos de ansiedade, problemas renais, hepáticos ou gastrointestinais, além de gestantes e lactantes.

Pesquisas mostram consumo elevado sem orientação

Estudos nacionais indicam que o consumo de termogênicos ocorre, muitas vezes, sem acompanhamento médico.

Uma pesquisa publicada pela Revista Destaques Acadêmicos revelou que 62,7% dos praticantes de musculação entrevistados já utilizaram esses suplementos, sendo que mais da metade iniciou o consumo por indicação de vendedores ou por automedicação.

Outro estudo, divulgado pela Revista Eletrônica Acervo Saúde, mostrou que 28,7% dos universitários da área da saúde utilizam termogênicos sem prescrição, relatando sintomas como insônia, agitação, dores no estômago e palpitações.

"Quando vemos pesquisas mostrando que mais de 60% dos praticantes de musculação já recorreram a termogênicos, fica evidente a dimensão do problema. A procura desenfreada por esses produtos, muitas vezes sem orientação, revela uma cultura de risco que precisa ser enfrentada com informação e responsabilidade", destaca Sestello.

Regulação existe, mas informação continua sendo essencial

Nos últimos anos, a Anvisa fortaleceu as regras para fabricação, comercialização e publicidade desses suplementos, além de proibir substâncias consideradas perigosas, como efedrina e dinitrofenol (DNP), já associadas a mortes em diversos países.

Mesmo assim, especialistas defendem que a principal estratégia para combater os riscos continua sendo a educação em saúde.

Segundo o endocrinologista, não existe cápsula capaz de substituir hábitos saudáveis. "O emagrecimento seguro continua baseado em alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e acompanhamento profissional. Atalhos podem custar muito caro para a saúde", conclui.

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