Economia • 14:43h • 11 de abril de 2026
Terras Raras: Brasil volta a exportar minério estratégico usado em carros elétricos
Primeiro embarque privado de monazita para o exterior reforça papel do Brasil no mercado global de terras raras
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Tamer Comunicação | Foto: Arquivo/Âncora1
A ADL Mineração realizou a primeira exportação privada de monazita, minério rico em elementos terras raras, para o mercado internacional após um intervalo de sete anos sem esse tipo de embarque no país. O carregamento, enviado ao Canadá, é considerado um marco para o setor mineral brasileiro por recolocar o Brasil, por meio da iniciativa privada, em uma cadeia estratégica ligada à tecnologia, energia e defesa.
Segundo a empresa, o último embarque de monazita registrado no país havia ocorrido em 2019, realizado pelas Indústrias Nucleares do Brasil (INB), vinculadas ao governo federal. Agora, a operação conduzida por uma mineradora privada sinaliza uma nova etapa de participação brasileira nesse mercado.
A monazita ganhou relevância geopolítica nos últimos anos porque concentra minerais usados em cadeias produtivas consideradas críticas para a economia global. Entre as aplicações estão fabricação de ímãs permanentes de alta potência, telas eletrônicas, carros elétricos, motores de turbinas eólicas, equipamentos ligados à energia nuclear e tecnologias da indústria de defesa. Na prática, isso coloca o minério no centro da disputa internacional por matérias-primas essenciais à transição energética e ao avanço tecnológico.
A expectativa da ADL Mineração é exportar entre 500 e 1.000 toneladas de monazita até o fim de 2026, com fornecimento para mercados como Canadá, Estados Unidos e China. Nos próximos dois anos, a meta é atingir cerca de 3 mil toneladas exportadas.
Para Adelina Lee, CEO da ADL Mineração, a retomada da produção e da exportação privada representa um momento histórico para o setor mineral brasileiro, ao ampliar a presença do país na cadeia global de suprimentos de tecnologias estratégicas. Segundo a executiva, avanços regulatórios e maior maturidade do setor permitiram que empresas privadas estruturadas passassem a cumprir exigências técnicas, ambientais, regulatórias e de segurança necessárias para esse tipo de operação.
A ADL Mineração atua no segmento de minerais estratégicos com foco também na produção e comercialização de ilmenita, zirconita e rutilo. A empresa informa ainda manter parceria com a INB em temas técnicos e estratégicos relacionados ao desenvolvimento de projetos, dentro de critérios de conformidade regulatória e planejamento de longo prazo.
O avanço da exportação de terras raras também reacende discussões sobre soberania mineral, industrialização e agregação de valor dentro do próprio país, já que esses recursos naturais ocupam posição cada vez mais estratégica nas cadeias globais de inovação.
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