Responsabilidade Social • 15:26h • 12 de julho de 2025
Tese da Fiocruz propõe inclusão na maternidade de mulheres com deficiência
Tese da Fiocruz propõe escuta inclusiva e justiça reprodutiva para mulheres com deficiência na maternidade.
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações da Fiocruz | Foto: Arquivo Âncora1
Uma tese de doutorado desenvolvida na Fiocruz propõe uma abordagem ética e inclusiva para compreender as experiências de maternidade de mulheres com deficiência, destacando os desafios enfrentados por esse grupo, as violências sofridas nos serviços de saúde e os caminhos possíveis para alcançar a justiça reprodutiva.
Elaborado pela enfermeira obstétrica Fernanda Rodrigues Chaves Morais, o estudo parte do reconhecimento de que a invisibilidade e a negação de direitos das mulheres com deficiência – especialmente no campo da maternidade – resultam em violações que vão desde o preconceito familiar até barreiras institucionais. A tese foi desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Saúde da Criança e da Mulher do Instituto Nacional Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz).
Segundo dados de 2022 citados na pesquisa, o Brasil tem cerca de 14,4 milhões de pessoas com deficiência, sendo 8,3 milhões mulheres. Apesar da representatividade, essas mulheres seguem à margem das políticas públicas voltadas à saúde reprodutiva.
A pesquisa aponta que a violação de direitos se manifesta principalmente nos períodos de gravidez, parto e pós-parto, em razão de barreiras comunicacionais, físicas e atitudinais nos serviços de saúde. Para enfrentar esse cenário, a metodologia da tese priorizou a escuta qualificada, com entrevistas em grupos focais para garantir participação ativa e representatividade das diferentes realidades vividas pelas participantes.
A análise das narrativas revelou três eixos principais:
- Infantilização, desumanização e descrédito da maternidade das mulheres com deficiência;
- Capacitismo obstétrico como forma de violência obstétrica;
- Justiça reprodutiva e politização da maternidade e do cuidado.
“A superproteção, frequentemente tratada como cuidado, acaba gerando infantilização e despersonalização, o que se reflete até mesmo no funcionamento do SUS. É urgente investir na formação permanente de profissionais da saúde para garantir atendimento humanizado e inclusivo”, defende Fernanda.
O estudo também se alinha a marcos legais e institucionais como a Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência e a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), que completa 10 anos em julho. Segundo a autora, esses documentos foram tratados como fundamentos ético-políticos na construção da pesquisa, que valorizou uma estética afirmativa e inclusiva desde a sua concepção até a divulgação dos resultados.
A professora e pesquisadora Martha Moreira, orientadora da tese ao lado de Laureane Lima Costa, destaca a originalidade do trabalho. “É a primeira pesquisa do programa que aborda as maternidades de mulheres com deficiência a partir da escuta direta das próprias mulheres. Os resultados reforçam a importância de uma perspectiva interseccional que considere deficiência, gênero, raça e classe como elementos fundamentais para práticas de cuidado mais justas e inclusivas.”
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos