Mundo • 15:35h • 01 de junho de 2026
Trabalhadores planejam mais tempo com a família com fim da 6x1
Cuidar dos filhos, se reunir com os pais e passear estão nos planos
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
A aprovação da proposta que acaba com a escala de trabalho 6x1 pela Câmara dos Deputados trouxe expectativa e esperança para milhares de trabalhadores brasileiros. Embora a medida ainda precise passar pelo Senado para entrar em vigor, muitos já fazem planos para aproveitar um segundo dia de descanso semanal ao lado da família, nos estudos e em atividades de lazer.
Para a atendente de lanchonete Gessiane Roberto Vianna, de 28 anos, a mudança representa a oportunidade de estar mais presente na vida das filhas, de 12 e 7 anos. Com uma rotina intensa de trabalho de segunda a sábado e cerca de duas horas diárias de deslocamento, ela conta que quase não consegue acompanhar o dia a dia das meninas. Segundo Gessiane, a mãe é quem assume tarefas como preparar o café da manhã, levar as crianças à escola e buscá-las no fim do dia. Ela sonha em ter mais tempo para passear com as filhas e realizar programas simples, como um dia de praia.
O balconista Emerson Santos, de 43 anos, também vê na nova jornada a possibilidade de fortalecer os laços familiares. Pai de um adolescente de 13 anos, ele pretende aproveitar os dias de folga para fazer passeios ao ar livre, como trilhas e visitas a cachoeiras na Floresta da Tijuca, atividades que atualmente acontecem com pouca frequência devido à carga de trabalho.
A expectativa também é compartilhada por Victor Pacheco, gerente de uma loja no centro do Rio de Janeiro. Além de trabalhar na escala 6x1, ele acompanha de perto a rotina desgastante da mãe, funcionária de uma fábrica de biscoitos. Ela enfrenta longos deslocamentos diários entre Duque de Caxias e Madureira, passando grande parte do dia fora de casa. Para Victor, a mudança pode significar mais oportunidades de convivência familiar.
Entre os trabalhadores que aguardam a nova escala está Juliana de Mello, de 21 anos, atendente de um quiosque de sorvetes e mãe de uma criança de quase dois anos. Ela espera utilizar o tempo livre para acompanhar mais de perto o crescimento da filha, além de realizar tarefas essenciais, como consultas médicas e vacinação.
A possibilidade de investir na qualificação profissional também anima muitos trabalhadores. É o caso de Stephanie Gonzaga, de 34 anos, atendente de banca de jornal, que pretende dedicar o segundo dia de folga aos estudos. Ela cursa técnico de enfermagem e acredita que mais tempo livre ajudará a conciliar a formação profissional com a rotina de trabalho.
Em São Paulo, a expectativa é semelhante. O funcionário de uma papelaria Flávio Antunes afirma que deseja passar mais tempo com a esposa e o filho. Já a vigilante Celma Araújo comemorou a mudança por acreditar que ela trará benefícios para familiares que atualmente trabalham na escala 6x1 e enfrentam dificuldades para participar de atividades sociais e familiares.
Para o porteiro Everton França, o fim da escala também pode abrir novas oportunidades no mercado de trabalho. Formado como metalúrgico, ele deixou a profissão devido às jornadas consideradas excessivamente desgastantes. Com a possibilidade de adoção de uma escala 5x2, ele avalia retornar à área em que se qualificou.
Enquanto a proposta segue em tramitação no Congresso Nacional, trabalhadores de diferentes setores enxergam na mudança a chance de equilibrar melhor a vida profissional e pessoal, dedicando mais tempo à família, ao lazer, à saúde e aos estudos.
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