• EUA liberam novos documentos sobre OVNIs com registros militares que remontam à década de 1940
  • Assis, São Paulo e Brasil estão preparados para enfrentar um El Niño sem precedentes?
  • Mais de 2 milhões de idosos continuam no mercado de trabalho em São Paulo, aponta pesquisa
Novidades e destaques Novidades e destaques

Saúde • 11:45h • 06 de junho de 2025

Tratamento da obesidade ganha orientação sobre uso racional de remédios

Documento orienta médicos, gestores e especialistas em áreas distintas

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1

Ao contrário de abordagens anteriores, que miravam a normalização do Índice de Massa Corporal (IMC), a nova diretriz prioriza a funcionalidade, a qualidade de vida e a individualização do tratamento.
Ao contrário de abordagens anteriores, que miravam a normalização do Índice de Massa Corporal (IMC), a nova diretriz prioriza a funcionalidade, a qualidade de vida e a individualização do tratamento.

A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) apresentou a nova Diretriz Brasileira para o Tratamento Farmacológico da Obesidade.

Segundo a associação, o documento representa um marco para a prática clínica no país ao reconhecer a obesidade como uma doença crônica que requer cuidado contínuo e abordagem individualizada.

Com 35 recomendações, a diretriz orienta médicos, gestores de saúde e profissionais de diferentes especialidades sobre o uso adequado de medicamentos, sempre em conjunto com mudanças no estilo de vida.

“É uma mudança de paradigma. O objetivo não é mais apenas normalizar o peso, mas sim promover saúde, funcionalidade e qualidade de vida com metas possíveis e sustentáveis”, explica o endocrinologista Bruno Halpern, vice-presidente da Abeso.

Uma das principais propostas é adotar metas mais realistas e clinicamente relevantes, como a perda de ao menos 10% do peso corporal, com foco na melhoria de comorbidades como diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono, osteoartrose e doença hepática associada à disfunção metabólica.

Ao contrário de abordagens anteriores, que miravam a normalização do Índice de Massa Corporal (IMC), a nova diretriz prioriza a funcionalidade, a qualidade de vida e a individualização do tratamento.

Segundo o endocrinologista Fernando Gerchman, coordenador do grupo de trabalhos para elaboração da diretriz farmacológica, este é um guia clínico construído com base em evidências e voltado à realidade brasileira, que respeita a individualidade do paciente e valoriza a decisão compartilhada.

“A diretriz anterior é de 2016. De lá para cá foram lançadas três novas medicações para obesidade no Brasil: liraglutida, que é o Saxenda; o Contrave e o Wegovy que é igual ao Ozempic mas na dose da obesidade que é 2,4mg. E agora vem o Monjauro", esclarece Gerchman.

"A primeira coisa que nós trabalhamos foi tentar entender qual é o impacto de associar mudanças de estilo de vida com educação física e dieta ao impacto do uso das medicações de obesidade”, disse Gerchman.

De acordo com o médico, as medicações são indicadas para quem tem IMC acima de 27 com alguma comorbidade, por exemplo, doenças cardiovascular, hipertensão, diabetes, doença hepática gordurosa e IMC acima de 30, após ter tentado mudança no estilo de vida e não ter dado certo.

“A gente mudou esse conceito. A gente tem indicado medicações para obesidade antes de mudanças no estilo de vida em decisão compartilhada com o paciente. A gente leva em consideração não só o IMC mas medidas de adiposidade corporal excessiva”, afirmou Gerchman.

Tratamento

As medicações foram categorizadas de acordo com o perfil de eficácia, segurança e duração do tratamento.

Além disso, considerou-se também a possibilidade do uso off-label – que é o uso de uma medição que não foi especificamente aprovada para obesidade, mas que pode ser utilizada para esse fim com base em evidências clínicas e pesquisas que demonstrem eficácia e segurança.

“O uso dessa estratégia deve ser individualizado, levando em conta fatores como a saúde geral do paciente, a presença de comorbidades e a resposta prévia ao tratamento. Além de considerar a segurança, a tolerabilidade e a questão do custo”, afirmou o coordenador do Departamento de Farmacoterapia da Abeso, Marcio Mancini.

Estilo de vida

O documento estabelece que o tratamento com medicações deve ser associado, desde o início, às mudanças no estilo de vida e que os medicamentos com alta ou moderada eficácia – como semaglutida, tirzepatida e liraglutida – devem ser priorizados quando disponíveis.

“Esses fármacos demonstraram benefícios significativos em grandes ensaios clínicos. A semaglutida, por exemplo, reduziu em 20% os eventos cardiovasculares em pacientes com obesidade e histórico de doença cardíaca. Já a tirzepatida mostrou, em estudo com pessoas com pré-diabetes, uma redução de 99% na incidência de diabetes tipo 2”, afirmou o diretor da Abeso, Alexandre Hohl.

A diretriz também recomenda que as decisões sobre o tratamento da obesidade devem levar em consideração fenótipos alimentares, como padrões de comportamento alimentar e as preferências dos indivíduos, dando atenção a fatores genéticos, psicológicos, sociais e ambientais e outras características individuais dos pacientes.

“Identificamos que, ao classificar pacientes com base em comportamentos alimentares, conseguimos oferecer um tratamento mais direcionado e eficaz”, disse Gerchman.

Outro ponto do novo documento é o reconhecimento de grupos específicos que demandam atenção diferenciada, como idosos com sarcopenia (perda de massa muscular), pessoas com câncer relacionado à obesidade e indivíduos com insuficiência cardíaca.

Nesses casos, o tratamento da obesidade pode não apenas melhorar a qualidade de vida, mas ampliar a eficácia de outras terapias e reduzir complicações.

A diretriz também contraindica fórmulas com substâncias não validadas ou potencialmente perigosas, como diuréticos e hormônios, e alerta que o tratamento da obesidade deve ser contínuo.

“O que os estudos mostram é que, quando o medicamento é interrompido, o peso volta. A diretriz reconhece isso e recomenda a manutenção terapêutica com reavaliação constante”, explica o Marcio Mancini.

Destaques da diretriz:

  • tratamento deve ser contínuo e individualizado: perda de peso de pelo menos 10% é considerada um alvo clínico relevante, com foco na melhora de comorbidades e qualidade de vida;

  • inclusão de novos critérios de diagnóstico: o documento recomenda o tratamento de pacientes com complicações relacionadas à obesidade mesmo com IMC abaixo de 30, considerando medidas como circunferência da cintura e relação cintura/altura;

  • reconhecimento da sarcopenia e de grupos específicos: pacientes idosos, pessoas com obesidade sarcopênica, apneia do sono, osteoartrose e doença hepática associada à obesidade agora têm recomendações específicas.

Segundo a Abeso, a diretriz foi construída com base nas melhores evidências científicas disponíveis e em consenso com 15 sociedades médicas.

Últimas Notícias

Descrição da imagem

Ciência e Tecnologia • 19:28h • 23 de outubro de 2026

EUA liberam novos documentos sobre OVNIs com registros militares que remontam à década de 1940

Nova leva disponibilizada nesta sexta-feira (23) reúne 28 arquivos sobre objetos voadores não identificados, incluindo relatórios de inteligência, investigações e documentos de diferentes períodos

Descrição da imagem

Cultura e Entretenimento • 17:32h • 23 de outubro de 2026

De Charles Dickens aos palcos de São Paulo, A Christmas Carol ganha nova montagem musical em 2026

Clássico de Charles Dickens ganha nova montagem musical no Teatro Liberdade, em novembro, antes de seguir para temporada especial no Hopi Hari

Descrição da imagem

Variedades • 17:10h • 23 de outubro de 2026

Assis, São Paulo e Brasil estão preparados para enfrentar um El Niño sem precedentes?

Previsões acompanhadas ao longo de 2026 levantam uma preocupação sobre a capacidade de Assis, do estado de São Paulo e do Brasil de enfrentar eventos climáticos que podem superar os registros históricos

Descrição da imagem

Educação • 16:11h • 23 de outubro de 2026

Senai abre mais de 3,3 mil vagas em cursos profissionalizantes; inscrições começaram na tarde desta sexta

São 3.357 oportunidades gratuitas em cursos técnicos e de aprendizagem industrial, com início em 2027; inscrições já estão abertas e seguem até 9 de novembro

Descrição da imagem

Mundo • 15:37h • 23 de outubro de 2026

Mais de 2 milhões de idosos continuam no mercado de trabalho em São Paulo, aponta pesquisa

Levantamento da Fundação Seade mostra crescimento de 26% na ocupação de pessoas com 60 anos ou mais desde 2019; trabalho por conta própria é o mais comum

Descrição da imagem

Responsabilidade Social • 14:16h • 23 de outubro de 2026

Síndrome de Tourette e diabetes tipo 1 não garantem automaticamente acesso à Lei de Cotas

Ministério do Trabalho esclarece que o enquadramento na Lei de Cotas depende de avaliação individual e não apenas do diagnóstico médico

Descrição da imagem

Classificados • 13:33h • 23 de outubro de 2026

Região de Marília tem 314 vagas de emprego abertas nesta sexta-feira; veja oportunidades por cidade

Levantamento dos postos de atendimento ao trabalhador reúne oportunidades em Cândido Mota, Marília, Ourinhos e Tupã, com destaque para logística, indústria e comércio

Descrição da imagem

Economia • 13:05h • 23 de outubro de 2026

Produtores rurais de Assis e região podem buscar oportunidades de fornecimento para a merenda escolar

Programa federal destina pelo menos 45% dos recursos para compras da agricultura familiar e estabelece regras que favorecem a participação das mulheres

As mais lidas do mês

Política

Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar

Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos