Responsabilidade Social • 17:33h • 11 de julho de 2026
Três macacos-aranha ameaçados de extinção reforçam programa de conservação do Zoológico de SP
Primatas resgatados em Mato Grosso passaram por reabilitação antes de seguirem para a capital paulista, onde integrarão projeto de conservação da espécie
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Divulgação
Três macacos-aranha-da-testa-branca (Ateles marginatus), espécie classificada como ameaçada de extinção no Brasil, passaram a integrar o programa de conservação do Zoológico de São Paulo. Vindos de Sinop (MT), Cigarra, Formiga e Cupim percorreram cerca de dois mil quilômetros até a capital paulista para formar um grupo com Joca, único exemplar da espécie que já vivia na instituição.
Os animais foram resgatados em diferentes situações de risco e passaram por um longo período de reabilitação no Centro de Vida Selvagem (CeVS) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), onde receberam acompanhamento veterinário, nutricional e comportamental antes da transferência.
Resgates marcaram a história dos três primatas
Cada um dos macacos chegou ao centro de reabilitação após enfrentar circunstâncias distintas.
Cigarra, uma fêmea de quase três anos, foi encontrada ainda filhote depois de um incêndio em uma área do norte de Mato Grosso. Formiga, de oito anos, foi resgatada pelo Corpo de Bombeiros às margens de uma rodovia. Já Cupim, macho de quatro anos, foi localizado ao lado da mãe, que havia morrido atropelada em uma via urbana de Sinop.
Segundo a professora Elaine Dione, coordenadora do CeVS da UFMT, a reabilitação buscou preservar o comportamento natural da espécie.
"Esses animais chegaram filhotes e precisaram de atendimento veterinário para superar as condições em que foram encontrados. Depois iniciou-se um trabalho de manejo comportamental e nutricional. Trata-se de uma espécie com organização social complexa, por isso buscamos preservar seus comportamentos naturais", explica.
Espécie ameaçada ganha reforço com chegada de três macacos-aranha ao Zoológico de São Paulo
Conservação busca ampliar diversidade genética
A transferência foi realizada em parceria entre a UFMT e o Zoológico de São Paulo, com apoio do programa Avião Solidário, da Latam, reduzindo o tempo de deslocamento dos animais.
Após cumprir quarentena, realizar exames veterinários e passar pelo período de adaptação, o trio iniciou uma aproximação gradual com Joca. Na última semana, os quatro passaram a compartilhar o mesmo recinto na ilha dos primatas.
O objetivo é fortalecer a chamada população de segurança da espécie mantida sob cuidados humanos e ampliar as possibilidades futuras de reprodução, seguindo critérios técnicos de conservação genética.
Espécie está entre as mais ameaçadas do Brasil
O Zoológico de São Paulo participa do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Primatas Amazônicos, coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Além do manejo dos animais, a instituição administra o studbook nacional da espécie, um banco de dados que reúne informações sobre idade, origem, parentesco e histórico reprodutivo dos exemplares mantidos em zoológicos brasileiros, permitindo definir os cruzamentos mais adequados para preservar a diversidade genética.
Endêmico do Brasil, o macaco-aranha-da-testa-branca ocorre apenas em áreas dos estados de Mato Grosso e Pará. Considerado um dos maiores primatas das Américas, destaca-se pelos membros longos, cauda preênsil e pela característica mancha branca triangular na testa.
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