Responsabilidade Social • 16:52h • 14 de julho de 2026
Tubarões sobreviveram a 5 extinções em massa, mas agora enfrentam uma ameaça diferente: o ser humano
No Dia Mundial da Conscientização sobre os Tubarões, história de Shark e Sharkira ajuda a explicar como pesca, captura acidental e consumo de “cação” pressionam espécies essenciais aos oceanos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do Grupo Oceanic | Foto: Divulgação
Os tubarões atravessaram mais de 400 milhões de anos de história e sobreviveram a cinco extinções em massa, mas enfrentam atualmente uma ameaça provocada pela ação humana. Neste 14 de julho, Dia Mundial da Conscientização sobre os Tubarões, a pesca predatória, a captura acidental e a degradação dos habitats voltam ao centro do debate sobre o futuro de espécies fundamentais para o equilíbrio dos oceanos.
Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), mais de um terço das espécies de tubarões e raias está ameaçado de extinção. O comércio de barbatanas e carne também integra o conjunto de pressões sobre populações que, em muitos casos, apresentam recuperação lenta.
No Oceanic Aquarium, em Balneário Camboriú (SC), Shark e Sharkira, um casal de tubarões-mangona, ajudam a aproximar esse problema do público. Os animais se tornaram parte do trabalho de conscientização sobre uma espécie frequentemente associada ao medo, mas que ocupa uma função decisiva nos ambientes marinhos.
Sobreviveram a cinco extinções, mas desaparecem dos oceanos
Como predadores de topo da cadeia alimentar, os tubarões ajudam a regular naturalmente as populações de outras espécies. Quando seu número diminui, os efeitos podem alcançar diferentes níveis do ecossistema.
As raias, parentes próximas dos tubarões, também exercem papel importante. Ao revolver sedimentos no fundo do mar, contribuem para a redistribuição de nutrientes. A redução desses animais pode afetar a biodiversidade, os recifes de coral e até atividades ligadas à pesca.
Há 400 milhões de anos nos oceanos, tubarões agora desaparecem em ritmo preocupante
O problema é agravado pelo ritmo de reprodução de muitas espécies. Alguns tubarões levam mais de dez anos para atingir a maturidade sexual e produzem poucos filhotes ao longo da vida. Uma população reduzida pela pesca, portanto, pode precisar de um longo período para se recuperar.
Você pode ter comido tubarão sem saber
Uma das informações que mais surpreende consumidores brasileiros está no nome utilizado para comercializar a carne. O peixe vendido como “cação” é, na realidade, tubarão.
Como essa nomenclatura é permitida, parte dos consumidores pode comprar o produto sem identificar imediatamente sua origem. A falta de conhecimento sobre a espécie comercializada amplia o debate sobre consumo e conservação, especialmente diante da existência de tubarões vulneráveis ou ameaçados.
A pressão humana não ocorre apenas pela pesca direcionada. Tubarões e raias também podem ser capturados acidentalmente em redes utilizadas para outras espécies, situação que amplia a mortalidade desses animais.
Shark e Sharkira ajudam a trocar o medo por informação
No Oceanic Aquarium, Shark e Sharkira são tubarões-mangona da espécie Carcharias taurus. Os nomes foram escolhidos em uma votação pelas redes sociais e o casal passou a integrar as ações de educação ambiental desenvolvidas com os visitantes.
A proposta é confrontar uma imagem construída durante décadas pelo cinema e pela cultura popular. Em vez de apresentar os tubarões exclusivamente como animais perigosos, o trabalho destaca a função ecológica desempenhada por eles.
O aquário integra o Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Tubarões e Raias Marinhos Ameaçados de Extinção, o PAN Tubarões, coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, o ICMBio.
Conservação também olha para as profundezas
Em junho, o Oceanic Aquarium anunciou parceria com a Fundação Projeto Tamar para levar a Balneário Camboriú o Novo Submarino, iniciativa voltada ao estudo da fauna de grandes profundidades.
O projeto surgiu a partir de pesquisas sobre a captura acidental de tartarugas marinhas e também amplia o conhecimento sobre tubarões de profundidade, incluindo os tubarões-gulper, considerados especialmente vulneráveis à pesca.
Depois de atravessarem cinco grandes extinções do planeta, os tubarões chegam ao século XXI diante de um desafio provocado por uma única espécie. A sobrevivência desses antigos habitantes dos mares passa agora pela capacidade humana de compreender que proteger um predador também significa preservar o equilíbrio de todo o oceano.
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