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Gastronomia & Turismo • 14:36h • 31 de agosto de 2026

Turismo e investimento: quanto pode custar ter um visto americano negado?

Quase 15% dos pedidos de vistos de turismo e negócios de brasileiros foram recusados no ano fiscal de 2025, mas prejuízo pode crescer em projetos migratórios mais complexos

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lara Assessoria | Foto: Âncora1®

Visto americano negado pode custar muito mais que a taxa quando há carreira, empresa ou investimento em jogo
Visto americano negado pode custar muito mais que a taxa quando há carreira, empresa ou investimento em jogo

Ter um visto americano negado pode representar o adiamento de uma viagem, mas o impacto financeiro muda de dimensão quando o processo envolve carreira, abertura ou expansão de uma empresa, mudança familiar ou investimentos nos Estados Unidos. Dados do Departamento de Estado mostram que 14,87% dos pedidos de vistos B de brasileiros terminaram em recusa no ano fiscal de 2025.

A taxa ficou ligeiramente abaixo dos 15,48% registrados em 2024 e se refere especificamente aos vistos B, utilizados para turismo e negócios. Ela não pode ser aplicada como estimativa de aprovação ou recusa de categorias como EB-1, EB-2 NIW, EB-5, L-1 ou O-1, que possuem critérios e procedimentos próprios.

É justamente nesses processos mais complexos que uma negativa pode deixar despesas que vão muito além das taxas governamentais. Traduções, avaliações acadêmicas, documentação, planos de negócios, estrutura empresarial, honorários e investimentos podem começar meses antes da decisão das autoridades americanas.

O prejuízo pode começar antes mesmo da resposta

No EB-1, por exemplo, existem subcategorias destinadas a determinados perfis, como pessoas com habilidade extraordinária, professores e pesquisadores e certos executivos e gerentes multinacionais. Já o EB-2 contempla profissionais com grau avançado ou habilidade excepcional e, em alguns casos, pode envolver o National Interest Waiver (NIW).

O problema surge quando primeiro se escolhe o visto e somente depois se tenta adaptar o histórico profissional aos requisitos. “Esses processos não deveriam começar com a pergunta ‘qual visto eu quero?’. Deveriam começar com ‘qual categoria corresponde ao meu histórico e quais provas eu tenho para demonstrar isso?’”, explica Daniel Toledo, advogado especializado em Direito Internacional.

Para empresários, essa análise pode ser ainda mais importante. Em estratégias envolvendo o L-1, por exemplo, gastos com abertura de empresa, contratação de serviços, aluguel e implantação de uma operação nos Estados Unidos podem ocorrer antes que se descubra se a estrutura criada é compatível com aquilo que precisará ser demonstrado no processo migratório.

Quando há investimento, o valor em risco aumenta

No programa EB-5, voltado a investidores elegíveis que buscam residência permanente por meio de investimento qualificado, entram na equação não apenas os requisitos migratórios, mas também a estrutura do projeto, a origem dos recursos e as exigências relacionadas à criação de empregos.

Por isso, o custo de uma recusa não possui um valor único. Para um turista, pode envolver a taxa e uma viagem adiada. Para um profissional, meses de preparação e oportunidades de carreira. Para empresários e investidores, o impacto pode alcançar recursos já comprometidos com negócios e projetos nos Estados Unidos.

Também é importante distinguir uma negativa de um Request for Evidence (RFE). Em processos analisados pelo Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS), o RFE é um pedido de informações ou documentos adicionais antes da decisão e não significa, por si só, que o processo foi recusado.

Recebeu uma negativa? Simplesmente trocar de visto pode repetir o problema

Quando há recusa, a possibilidade de correção depende da categoria, do órgão responsável e do fundamento da decisão. Uma deficiência documental, por exemplo, é diferente de um caso no qual o candidato não conseguiu demonstrar que atende aos requisitos exigidos.

Por isso, reaplicar imediatamente ou escolher outra categoria sem revisar o processo anterior pode significar novos gastos sem solucionar a causa da primeira negativa. Formulários, documentos, evidências, histórico migratório e a própria elegibilidade precisam ser reavaliados antes de uma nova tentativa.

“Quanto mais complexo é o projeto migratório, maior é o custo de improvisar”, resume Toledo. Em processos que podem envolver patrimônio, empresa, profissão e mudança familiar, planejamento não elimina o risco de recusa nem garante aprovação, mas pode evitar que falhas previsíveis ampliem o prejuízo.

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