Saúde • 15:35h • 10 de junho de 2026
Um em cada quatro brasileiros não sabe que o câncer pode ser prevenido
Mais da metade da população não sabe que sedentarismo é fator de risco
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
Apesar de boa parte dos casos de câncer estar relacionada a fatores que podem ser evitados, uma parcela significativa da população brasileira ainda desconhece essa informação. Uma pesquisa nacional revelou que um em cada quatro brasileiros não sabe que a doença pode ser prevenida por meio da adoção de hábitos saudáveis e da redução da exposição a fatores de risco.
O levantamento analisou o conhecimento da população sobre comportamentos associados ao desenvolvimento do câncer, como tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas, alimentação inadequada, excesso de peso e sedentarismo. O estudo ouviu 6,5 mil pessoas em todos os estados e no Distrito Federal.
Casos de câncer seguem em crescimento
A estimativa é de que o Brasil registre cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028. O aumento está relacionado principalmente ao envelhecimento da população e à influência de hábitos de vida que favorecem o surgimento da doença.
Os resultados mostram que, embora exista maior conscientização sobre alguns fatores de risco, ainda há lacunas importantes de informação entre os brasileiros.
Tabagismo é o fator de risco mais reconhecido
O cigarro aparece como o fator de risco mais conhecido pela população. Mais de 90% dos entrevistados afirmaram saber que fumar aumenta as chances de desenvolver câncer.
Outros fatores amplamente reconhecidos são a herança genética e a exposição excessiva ao sol sem proteção adequada.
Especialistas atribuem esse alto nível de conhecimento às campanhas educativas e às políticas públicas implementadas ao longo das últimas décadas, que incluíram advertências em embalagens, restrições ao consumo em locais públicos e aumento da tributação dos produtos derivados do tabaco.
Sedentarismo e alimentação ainda são pouco associados ao câncer
Embora diversos estudos apontem a relação entre estilo de vida e desenvolvimento da doença, muitos brasileiros ainda não reconhecem alguns fatores importantes de risco.
Menos da metade da população associa a falta de atividade física ao câncer. O mesmo ocorre com a obesidade, o excesso de peso, o consumo de refrigerantes e bebidas açucaradas e a baixa ingestão de frutas, verduras e legumes.
O consumo de alimentos ultraprocessados, como salgadinhos, macarrão instantâneo e sorvetes industrializados, também não é amplamente reconhecido como um fator que pode aumentar o risco da doença.
A carne vermelha apresenta um dos menores índices de percepção: menos de três em cada dez brasileiros acreditam que seu consumo excessivo pode contribuir para o desenvolvimento de câncer.
Aleitamento materno é pouco conhecido como fator de proteção
Outro dado que chamou atenção foi o desconhecimento sobre os benefícios da amamentação para a saúde da mulher.
Quatro em cada dez entrevistados não sabiam que o aleitamento materno ajuda a reduzir o risco de câncer de mama. Especialistas destacam que mulheres que amamentam tendem a apresentar maior proteção contra a doença em comparação àquelas que não tiveram essa oportunidade.
Jovens concentram hábitos menos saudáveis
A pesquisa também avaliou os comportamentos da população em relação aos fatores de risco.
Os jovens com até 24 anos aparecem como o grupo que mais consome alimentos ultraprocessados, bebidas açucaradas, embutidos e carne vermelha sem demonstrar intenção de reduzir o consumo.
O mesmo padrão foi observado em relação às bebidas alcoólicas. Entre os jovens, a proporção daqueles que afirmam consumir álcool sem intenção de diminuir a ingestão é superior à registrada em outras faixas etárias.
Consumo de alimentos saudáveis ainda é elevado
Apesar dos desafios, os dados mostram que a maioria dos brasileiros consome frutas, legumes e verduras regularmente.
Mais de 86% dos entrevistados afirmaram incluir esses alimentos na alimentação. Entre aqueles que não mantêm esse hábito, uma parcela declarou ter intenção de começar a consumir mais produtos naturais.
Atividade física ainda enfrenta barreiras
Pouco mais da metade da população relatou praticar atividades físicas regularmente. Entre aqueles que não se exercitam, uma parcela expressiva afirmou ter interesse em iniciar uma rotina de exercícios.
O estudo identificou ainda diferenças relacionadas à renda. Pessoas com maior poder aquisitivo tendem a reconhecer mais facilmente a importância da atividade física na prevenção do câncer.
Especialistas ressaltam que a adoção de hábitos saudáveis depende não apenas de informação, mas também de condições adequadas oferecidas pelo poder público, como segurança, iluminação de espaços públicos, acesso a áreas de lazer e disponibilidade de alimentos saudáveis a preços acessíveis.
Informação é essencial para a prevenção
Os pesquisadores avaliam que os resultados ajudam a identificar quais temas precisam receber mais atenção em campanhas educativas e políticas públicas.
A ampliação do conhecimento sobre fatores de risco e medidas de prevenção é considerada uma estratégia fundamental para reduzir o número de casos de câncer no país e incentivar escolhas mais saudáveis por parte da população.
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