Responsabilidade Social • 14:13h • 21 de setembro de 2026
Um em cada sete idosos com 70 anos ou mais vive com transtorno mental, aponta dado da OMS
Depressão e ansiedade podem aparecer como cansaço, dores, irritabilidade, isolamento e alterações de memória; Setembro Amarelo reforça importância de reconhecer mudanças persistentes
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Midiaria | Foto: Divulgação
Depressão na terceira idade nem sempre aparece como tristeza evidente. Cansaço, dores, falta de energia, irritabilidade, isolamento, alterações de memória e abandono de atividades antes prazerosas também podem indicar sofrimento emocional. Durante o Setembro Amarelo, especialistas chamam atenção para sinais que muitas vezes são confundidos com consequências naturais do envelhecimento e destacam a necessidade de prevenção do suicídio entre pessoas idosas.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apresentados no levantamento, 14,75% das pessoas com 70 anos ou mais vivem com algum transtorno mental, com ansiedade e depressão entre os quadros mais frequentes. Globalmente, aproximadamente 16,6% das mortes por suicídio ocorrem nessa faixa etária.
O psiquiatra Jorge Tostes, professor da Afya Faculdade de Medicina de Itajubá, explica que a manifestação da depressão pode ser menos óbvia entre idosos. Desesperança e sensação de desamparo estão entre os sinais que merecem atenção, especialmente quando há também ansiedade, situação que pode aumentar agitação, impulsividade e sofrimento.
Mudança de comportamento pode ser um alerta
Isolamento progressivo, perda importante de interesse, alterações no sono ou apetite, descuido com higiene e medicamentos, irritabilidade intensa e aumento do consumo de álcool estão entre as mudanças que familiares e cuidadores devem observar.
Também merecem atenção pensamentos persistentes sobre morte, tentativas anteriores de suicídio e acesso facilitado a grandes quantidades de medicamentos, armas ou agrotóxicos.
Doenças crônicas acompanhadas de dor e perda de autonomia podem aumentar a vulnerabilidade. A isso podem se somar acontecimentos como morte do cônjuge, lutos sucessivos, aposentadoria e redução do convívio social.
Solidão e perda de autonomia também pesam
A geriatra Érica Abjaudi, professora da Afya Contagem, destaca que o envelhecimento pode reunir mudanças biológicas, sociais e afetivas ao mesmo tempo. Saída dos filhos de casa, viuvez, morte de amigos, redução da renda, limitações de mobilidade e necessidade crescente de ajuda são algumas delas.
Solidão, isolamento social, sensação de não ser mais útil, preconceito relacionado à idade, violência e negligência também aparecem entre os fatores que precisam ser considerados.
Um estudo publicado em 2025 na revista científica The Lancet, com dados de 47 países ao longo de 25 anos, apontou que a taxa global de mortalidade por suicídio entre pessoas com 65 anos ou mais ficou em cerca de 16 mortes a cada 100 mil habitantes em 2021, diante de uma média mundial próxima de 11 por 100 mil. Segundo os dados apresentados, homens correspondiam a 75% das vítimas nessa faixa etária.
O que familiares devem observar
Mais do que uma alteração isolada, o alerta está principalmente em mudanças persistentes em relação ao comportamento habitual daquela pessoa. Deixar de fazer atividades das quais gostava, afastar-se progressivamente de familiares e amigos, demonstrar desesperança ou dizer que se tornou um peso para os outros são situações que não devem ser tratadas simplesmente como parte da idade.
O mesmo vale para perda de funcionalidade sem explicação suficiente, ansiedade intensa, negligência com a própria saúde ou referências recorrentes à morte. Diante desses sinais, a orientação dos especialistas é buscar avaliação profissional e ampliar a rede de apoio ao idoso.
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