Educação • 09:16h • 16 de maio de 2026
Unesco: matrículas no ensino superior mais que dobraram no mundo
Estudo divulgado hoje em Paris reúne dados de 146 países
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
O número de estudantes matriculados no ensino superior em todo o mundo mais que dobrou nas últimas duas décadas, passando de 100 milhões em 2000 para 269 milhões em 2024. Atualmente, esse total representa 43% da população em idade típica para frequentar a universidade, geralmente entre 18 e 24 anos.
Apesar do crescimento expressivo, o acesso ao ensino superior ainda apresenta fortes desigualdades regionais. Enquanto cerca de 80% dos jovens da Europa Ocidental e da América do Norte estão matriculados em instituições de ensino superior, o índice cai para 59% na América Latina e Caribe, 37% nos Estados Árabes, 30% no Sul e Oeste da Ásia e apenas 9% na África Subsaariana.
Os dados fazem parte do primeiro relatório global da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) sobre tendências do ensino superior, divulgado em Paris. O estudo reúne informações de 146 países.
O levantamento mostra ainda que as instituições privadas seguem representando cerca de um terço das matrículas em todo o mundo, com maior presença na América Latina e Caribe, onde concentram quase metade dos estudantes. Em países como Brasil, Chile, Japão e Coreia do Sul, quatro em cada cinco universitários estudam em instituições privadas.
Segundo a Unesco, apenas um terço dos países possui legislação que garante ensino superior público gratuito. Além disso, embora as matrículas tenham crescido de forma acelerada, o avanço na conclusão dos cursos ocorreu em ritmo menor. A taxa global de graduação passou de 22% em 2013 para 27% em 2024.
O diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany, afirmou que o aumento da demanda por ensino superior demonstra o papel estratégico das universidades na construção de sociedades mais sustentáveis. Ele destacou, porém, que a expansão do acesso ainda não significa igualdade de oportunidades, reforçando a necessidade de modelos de financiamento mais inclusivos.
Mobilidade internacional cresce
A mobilidade internacional de estudantes também aumentou significativamente nas últimas duas décadas. O número de pessoas que estudam fora de seus países de origem passou de 2,1 milhões em 2000 para quase 7,3 milhões em 2024.
Metade desses estudantes está concentrada na Europa e na América do Norte. Mesmo assim, a mobilidade internacional ainda representa apenas 3% do total de estudantes universitários no mundo.
Alemanha, Austrália, Canadá, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia continuam entre os principais destinos acadêmicos globais. Ao mesmo tempo, países como Turquia e Emirados Árabes Unidos vêm ganhando destaque e registraram crescimento expressivo no número de estudantes estrangeiros na última década.
O relatório aponta também uma tendência de regionalização da mobilidade acadêmica. Na América Latina e Caribe, por exemplo, aumentou o número de estudantes que escolhem países da própria região para estudar, tendo a Argentina como principal destino.
Mulheres já são maioria nas universidades
As mulheres passaram a ser maioria no ensino superior em nível global. Em 2024, havia 114 mulheres matriculadas para cada 100 homens.
A paridade de gênero foi alcançada em praticamente todas as regiões do planeta, com exceção da África Subsaariana, onde persistem menores taxas de acesso e conclusão dos cursos.
Mesmo assim, as mulheres continuam subrepresentadas nos programas de doutorado e ocupam apenas cerca de um quarto dos cargos de liderança nas universidades.
Desafios persistem
O relatório destaca que equidade, financiamento e qualidade seguem entre os principais desafios do ensino superior global.
Apenas um terço dos países possui programas específicos voltados à inclusão de grupos historicamente subrepresentados. Alguns países, como Chile, México, Itália, Japão e África do Sul, adotaram medidas para reduzir ou eliminar taxas universitárias para determinados grupos sociais.
A Unesco também alerta para as dificuldades enfrentadas por pessoas refugiadas no acesso ao ensino superior, especialmente devido à falta de reconhecimento de diplomas e qualificações acadêmicas.
Outro ponto destacado pelo estudo é o avanço das tecnologias digitais e da inteligência artificial nas universidades. Apesar disso, apenas uma em cada cinco instituições de ensino superior possuía, em 2025, uma política formal sobre o uso de IA.
Segundo a Unesco, a rápida expansão do ensino superior aumentou a pressão sobre os sistemas educacionais e tornou ainda mais urgente a criação de modelos de financiamento sustentáveis, capazes de ampliar o acesso sem comprometer a qualidade da formação.
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