Educação • 16:16h • 15 de dezembro de 2025
Unesp abrirá mestrado para assentados da reforma agrária e quilombolas em 2026
Turma especial terá 20 vagas no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Territorial, em parceria com o Incra, e edital será lançado no próximo ano
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Unesp | Foto: Divulgação
A Universidade Estadual Paulista (Unesp) vai oferecer, em 2026, uma turma especial de mestrado voltada a assentados da reforma agrária, acampados, quilombolas e pessoas ligadas à educação no campo. O curso será realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Territorial na América Latina e Caribe, com sede no Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais (IPPRI), e terá 20 vagas, com duração de 30 meses, resultado de uma parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
O mestrado integra o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) e contará com financiamento do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e do Incra, além de contrapartida da Pró-Reitoria de Pós-Graduação da Unesp. O convênio que formaliza a iniciativa foi publicado na semana passada no Diário Oficial da União e consolida uma relação de quase 30 anos entre a universidade e o Pronera.
De acordo com a coordenação do programa, a turma especial terá três linhas centrais de pesquisa. Uma delas é voltada à formação de professores que atuam em escolas de educação no campo. A segunda propõe uma análise aprofundada da relação entre campesinato e capitalismo. A terceira articula áreas como agronomia, saúde e soberania alimentar, com foco em perfis ligados às ciências biológicas.
Embora o título concedido seja o de mestre em geografia, o curso tem caráter interdisciplinar e aceita candidatos com diferentes formações iniciais. A proposta acadêmica busca dialogar com as realidades sociais, produtivas e territoriais das comunidades envolvidas.
O mestrado será desenvolvido a partir da pedagogia da alternância, que combina períodos presenciais com atividades realizadas nas comunidades de origem dos estudantes. As etapas presenciais ocorrerão nos meses de maio e novembro, na Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema, e na sede do IPPRI-Unesp, em São Paulo. As demais atividades acadêmicas serão realizadas nos locais onde vivem os pós-graduandos.
Esta será a 13ª iniciativa da Unesp em parceria com o Pronera, programa criado em 1998 com o objetivo de ampliar o acesso à educação em áreas de reforma agrária. Ao longo desse período, a universidade já ofertou cursos de Educação de Jovens e Adultos, formações em agropecuária e agroecologia, cursos técnicos integrados ao ensino médio, ações de extensão, uma graduação em geografia e um mestrado realizado entre 2013 e 2015.
O processo de ingresso no novo mestrado ocorrerá por meio de seleção pública. O edital com as regras e critérios será lançado em 2026 e exigirá a apresentação de um projeto de pesquisa. Nesta semana, representantes da pós-graduação da Unesp e do Incra se reuniram por videoconferência para discutir os parâmetros que irão orientar a seleção.
A experiência acumulada com o Pronera contribuiu para que a Unesp fosse escolhida como sede da Cátedra Unesco de Educação do Campo e Desenvolvimento Territorial, criada em 2009. A iniciativa tem como foco a promoção de projetos, pesquisas e eventos voltados aos desafios e avanços do desenvolvimento territorial sustentável em comunidades rurais.
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