Educação • 13:18h • 14 de junho de 2026
Unesp aprova cotas para docentes pretos, pardos e indígenas
Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária aprovou por unanimidade resolução que destina um terço das vagas para ingresso por concurso público na carreira acadêmica
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Divulgação/Governo de São Paulo
O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária da Unesp aprovou por unanimidade uma nova política de reserva de vagas para pessoas pretas, pardas e indígenas nos concursos públicos para ingresso na carreira docente. A medida estabelece que um terço das vagas destinadas à contratação de professores seja reservado a esses grupos, o equivalente a uma vaga a cada três abertas nos departamentos dos 24 campi da universidade.
A resolução também prevê que, no primeiro ano de vigência da política, cada uma das 34 unidades universitárias da instituição contrate ao menos um docente negro ou indígena. Durante a sessão de aprovação, o vice-reitor Cesar Martins classificou a decisão como um marco histórico para a universidade e destacou seu papel no fortalecimento das ações de diversidade e equidade.
A proposta foi construída a partir de um grupo de trabalho criado em julho de 2025 para analisar formas de enfrentar a histórica sub-representação de negros e indígenas no quadro docente da universidade. O estudo contou com a participação de representantes da comunidade acadêmica, de setores administrativos da instituição e de especialistas em igualdade racial.
O relatório elaborado pelo grupo concluiu que a adoção de uma política estruturada de reserva de vagas não é apenas uma escolha administrativa, mas uma necessidade institucional e estratégica para ampliar a diversidade no corpo docente.
Segundo a professora Maria Valéria Barbosa, assessora da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade, o modelo adotado foi pensado para garantir efetividade à política. Como os concursos da Unesp são realizados de forma descentralizada, a regra de reservar uma vaga a cada três contratações foi considerada a alternativa mais simples e eficiente para ampliar a inclusão.
Dados da universidade mostram que, atualmente, apenas cerca de 6% dos docentes efetivos se autodeclaram pretos, pardos ou indígenas. Em um universo superior a três mil professores, pouco mais de 200 pertencem a esses grupos. O percentual é significativamente inferior à participação da população negra no estado de São Paulo.
Para a professora, a medida representa um passo importante para tornar a universidade mais diversa e representativa da sociedade brasileira. Ela destaca que outras instituições de ensino superior também discutem ações semelhantes, mas enfrentam dificuldades para implementar mudanças mais efetivas.
A aprovação da política ocorre um ano após a criação da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade, estrutura que passou a coordenar iniciativas voltadas à inclusão e ao combate às desigualdades dentro da universidade.
A verificação das autodeclarações dos candidatos negros seguirá procedimentos semelhantes aos já adotados pela Unesp para estudantes ingressantes por meio das políticas de cotas. A universidade foi pioneira entre as estaduais paulistas na adoção de reserva de vagas para estudantes pretos, pardos e indígenas, implantada a partir do vestibular de 2014.
Atualmente, metade das vagas dos cursos de graduação da instituição é destinada a alunos oriundos da rede pública de ensino, sendo que parte delas é reservada especificamente para candidatos negros e indígenas. Com a nova política para docentes, a universidade amplia as ações afirmativas também para o quadro de professores.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos