Educação • 08:31h • 28 de fevereiro de 2026
Unesp cria grupos formados por homens para debater equidade de gênero nos câmpus
Iniciativa integra o programa Unesp Sem Assédio e prevê formação de facilitadores em 24 unidades universitárias
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Unesp | Foto: Divulgação
A Universidade Estadual Paulista iniciou parceria para estimular a participação de homens no debate sobre equidade de gênero e prevenção de assédios dentro da comunidade acadêmica. A ação integra o programa Unesp Sem Assédio e reúne a Pró-Reitoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade, a Coordenadoria de Saúde da universidade e o Instituto Memoh.
A proposta prevê a criação de grupos reflexivos formados exclusivamente por homens, com foco na discussão sobre masculinidades e relações de poder. O objetivo é mobilizar estudantes e servidores para a construção de redes de diálogo, escuta e responsabilização, ampliando o debate sobre cultura institucional e prevenção de violências.
Formação de multiplicadores
O acordo estabelece a formação de facilitadores nos 24 câmpus da universidade. As equipes serão compostas por duplas formadas por um servidor técnico-administrativo e um estudante, responsáveis por conduzir os grupos e disseminar as reflexões em cada unidade.
Segundo o professor Leonardo Lemos, pró-reitor da área, a iniciativa surgiu a partir de diagnósticos realizados em rodas de conversa que discutiram assédio nos câmpus. A proposta é promover reflexão sobre masculinidades e compreender as mudanças culturais necessárias nas relações entre homens e mulheres dentro do ambiente universitário.
Base legal e referências institucionais
A metodologia dialoga com o arcabouço legal brasileiro das últimas duas décadas, incluindo a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, que reforçaram mecanismos de combate à violência de gênero.
Também se apoia em recomendação do Conselho Nacional de Justiça, de 2022, que orienta a criação de programas voltados à reflexão e responsabilização de agressores em casos de violência doméstica e familiar. Modelos semelhantes já foram implementados pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, com foco na prevenção de reincidências.
Na Unesp, a implementação dos grupos ocorrerá de forma gradual e dependerá do envolvimento das direções das unidades universitárias.
Debate sobre cultura institucional
Para a docente Larissa Pelúcio, assessora da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade, discutir masculinidades no âmbito institucional implica questionar padrões historicamente tratados como neutros. A proposta busca ampliar o horizonte da equidade e promover ambiente universitário mais plural e respeitoso.
A iniciativa insere-se em estratégia mais ampla de prevenção a assédios e promoção de diversidade dentro da universidade, ao envolver diretamente um segmento tradicionalmente pouco convocado a refletir sobre papéis de gênero.
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