Saúde • 10:22h • 07 de maio de 2026
Unicamp desenvolve novo tratamento contra câncer de pele
Um composto inovador, nascido da mistura de um complexo de prata combinado com um anti-inflamatório começou a ser testado em humanos no início deste ano
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Governo de SP
O câncer de pele não melanoma, embora não seja o mais agressivo nem o mais letal, é o tipo mais comum no Brasil e pode causar impactos estéticos importantes. Como geralmente atinge áreas expostas ao sol, como rosto, orelhas, pescoço e braços, o tratamento costuma envolver a remoção cirúrgica do tumor, o que pode deixar cicatrizes ou até provocar mutilações, gerando forte impacto social e psicológico nos pacientes.
Diante desse cenário, pesquisadores da Unicamp vêm desenvolvendo, há mais de uma década, uma alternativa terapêutica menos invasiva. O estudo resultou em um composto inovador que combina prata com o anti-inflamatório nimesulida, conhecido como AgNMS. A proposta inicial era reduzir o tamanho das lesões para minimizar os danos causados por cirurgias, mas os resultados mais recentes indicam potencial até para a remissão total dos tumores.
O foco da pesquisa é o carcinoma de células escamosas cutâneo, um dos tipos mais comuns de câncer de pele, associado principalmente à exposição aos raios ultravioleta. Em casos avançados, quando a cirurgia ou a radioterapia não são indicadas, o tratamento costuma ser feito com quimioterapia, que apresenta efeitos limitados e pode causar toxicidade significativa.
Nos testes laboratoriais, o novo composto demonstrou capacidade de inibir a proliferação de células cancerígenas sem afetar células saudáveis, indicando ação seletiva. Em estudos com animais, o uso do AgNMS, aplicado por meio de uma membrana de celulose bacteriana com adesivo, levou à redução ou até ao desaparecimento dos tumores, sem efeitos tóxicos.
Atualmente, a pesquisa entrou na fase clínica, com testes em humanos. Os primeiros resultados, obtidos em pacientes atendidos no Hospital de Clínicas da Unicamp, apontam redução dos tumores e ausência de toxicidade. A próxima etapa é ampliar o número de participantes e ajustar a dosagem ideal para avançar no estudo.
A tecnologia utiliza um sistema de liberação controlada do medicamento, que permanece em contato com a lesão por várias horas, além de oferecer proteção contra infecções. Caso os resultados se confirmem nas próximas fases, o tratamento poderá se tornar uma alternativa mais acessível e menos agressiva em comparação às terapias atuais.
Apesar do potencial, o avanço da pesquisa ainda enfrenta desafios, especialmente relacionados ao financiamento das etapas clínicas. Mesmo assim, os pesquisadores destacam que o desenvolvimento do composto representa um avanço importante e reforça o papel da ciência brasileira na busca por soluções inovadoras no tratamento do câncer.
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