Responsabilidade Social • 10:12h • 29 de julho de 2026
Unicef mapeia cidades onde crianças estão expostas a riscos ambientais
Mais de 300 municípios foram considerados em maior vulnerabilidade
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
As mudanças climáticas e a ocorrência cada vez mais frequente de eventos extremos ampliam os riscos enfrentados por crianças e adolescentes em diversas regiões do Brasil. Um estudo divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em parceria com a organização internacional Vital Strategies, mostra que 333 municípios brasileiros apresentam alta vulnerabilidade socioambiental e climática para esse público.
Os municípios classificados como mais vulneráveis representam cerca de 6% das cidades do país. O levantamento integra o Painel Crianças e Meio Ambiente, plataforma que reúne informações sobre os 5.571 municípios brasileiros com base em dados coletados entre 2021 e 2025.
A ferramenta analisa 14 indicadores distribuídos em quatro áreas: qualidade do ar, infraestrutura ambiental e urbana, eventos climáticos extremos e condições do ambiente escolar.
Segundo o especialista em Mudanças Climáticas do Unicef, Danilo Moura, crianças e adolescentes estão entre os grupos mais vulneráveis aos impactos dos desastres ambientais por dependerem dos adultos para tomar decisões em situações de emergência.
"Quando se está falando de eventos extremos, crianças dependem de seus cuidadores para tomar as decisões por elas. Elas não necessariamente têm autonomia ou capacidade para reconhecer situações de perigo. Elas dependem que seus cuidadores façam isso", afirmou.
Municípios enfrentam diferentes níveis de risco
O painel considera fatores como ocorrência de chuvas intensas, ondas de calor e períodos de seca, além do acesso à água tratada, coleta de esgoto e níveis de poluição do ar provocados por queimadas, transporte ou atividades industriais.
Com base nesses indicadores, os municípios foram classificados em três níveis de prioridade:
- Nível 3: situação de alta prioridade, que exige atenção imediata e ações urgentes;
- Nível 2: necessidade de planejamento e adoção gradual de medidas de curto e médio prazo;
- Nível 1: baixa prioridade, com necessidade apenas de monitoramento contínuo.
Dos 5.571 municípios avaliados, 333 receberam classificação de alta prioridade em mais de dez dos 14 indicadores, caracterizando uma situação de vulnerabilidade severa e multidimensional. A maior concentração dessas cidades está na Região Norte e no estado do Maranhão.
Em contrapartida, 108 municípios não apresentaram alta prioridade em nenhum dos indicadores analisados.
Para a representante adjunta do Unicef no Brasil, Layla Saad, transformar os dados em informações acessíveis permite direcionar melhor políticas públicas e investimentos para as regiões mais necessitadas.
Norte concentra maior vulnerabilidade
O levantamento aponta que Pará, Acre, Amazonas, Maranhão e Mato Grosso concentram grande parte dos municípios com os piores indicadores ambientais e climáticos.
Entre os 30 municípios com maior nível de vulnerabilidade, 24 estão na Região Norte, quatro no Maranhão e outros quatro em Mato Grosso. Segundo o estudo, muitas dessas cidades possuem pequena população, economia baseada em atividades primárias e menor capacidade de resposta diante de eventos climáticos extremos.
Na análise da qualidade do ar, a Região Norte apresentou o cenário mais preocupante. Cerca de 94% dos municípios registraram concentração de partículas finas acima dos limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), situação associada principalmente às queimadas.
No Sudeste, embora apenas 39% dos municípios tenham sido classificados como prioritários nesse indicador, eles concentram aproximadamente 72% da população infantil da região. Nesse caso, a poluição está relacionada principalmente ao trânsito e às atividades industriais.
Os eventos climáticos extremos também apresentam forte impacto no Norte e no Sul do país. Nessas regiões, chuvas intensas e outros fenômenos meteorológicos aumentam significativamente os riscos para crianças e adolescentes.
Já em relação à infraestrutura ambiental e urbana, os maiores desafios foram identificados nas regiões Norte e Nordeste, devido às dificuldades de acesso à água tratada, coleta de esgoto e investimentos em infraestrutura básica.
O levantamento também mostra que o Nordeste e o Sudeste concentram o maior número de escolas sem áreas verdes, condição que pode agravar os efeitos das altas temperaturas sobre os estudantes.
Plataforma reúne diagnósticos e orientações
Além de apresentar o diagnóstico de cada município, o Painel Crianças e Meio Ambiente disponibiliza cerca de 50 recomendações para apoiar gestores públicos na elaboração de políticas de prevenção e adaptação às mudanças climáticas.
As orientações incluem intervenções em infraestrutura, ampliação de áreas verdes, fortalecimento da vigilância ambiental, melhoria do saneamento básico e ações voltadas à proteção de crianças e adolescentes diante dos impactos ambientais.
Segundo a Vital Strategies, a ferramenta busca auxiliar municípios na identificação de suas principais vulnerabilidades e na adoção de medidas preventivas capazes de reduzir desigualdades e promover ambientes mais seguros e saudáveis para o desenvolvimento da infância e da adolescência.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos