Saúde • 12:27h • 31 de maio de 2026
Uso de estimulantes para aumentar rendimento preocupa especialistas após relato de cantor
Medicamentos indicados para TDAH e narcolepsia vêm sendo usados sem prescrição por pessoas que buscam mais foco e produtividade, apesar dos riscos à saúde física e mental
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do CFF | Foto: Arquivo Âncora1
A declaração do cantor Natanzinho Lima em um podcast sobre o uso de cápsulas de Venvanse para lidar com a rotina intensa de shows reacendeu o debate sobre o consumo indiscriminado de estimulantes do sistema nervoso central. Medicamentos como lisdexanfetamina, princípio ativo do Venvanse, e metilfenidato, presente em remédios como Ritalina e Concerta, têm sido utilizados por profissionais, estudantes e concurseiros em busca de mais disposição, foco e rendimento.
Especialistas alertam, no entanto, que esses medicamentos foram desenvolvidos para o tratamento de condições específicas, como Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e narcolepsia, e não possuem comprovação científica de que aumentem a inteligência ou a capacidade intelectual de pessoas saudáveis.
Segundo farmacêuticos e profissionais da saúde, o uso sem indicação médica pode provocar uma sobrecarga química no cérebro, já que essas substâncias alteram a dinâmica dos neurotransmissores. Em pessoas sem diagnóstico adequado, o consumo frequente pode levar ao desenvolvimento rápido de dependência física e psicológica.
Entre os efeitos adversos associados ao uso indiscriminado estão ansiedade intensa, insônia, dores de cabeça, taquicardia, perda severa de apetite e agravamento de transtornos psiquiátricos. Em casos mais graves, também podem ocorrer episódios de alucinação e alterações importantes no comportamento.
Os especialistas destacam que a sensação de aumento de produtividade promovida pelos estimulantes pode mascarar o cansaço real do organismo, criando um ciclo contínuo de desgaste físico e mental.
Farmacêuticos reforçam ainda que medicamentos como Venvanse, Ritalina e Concerta só devem ser utilizados com prescrição médica e acompanhamento profissional. A venda dessas substâncias exige controle rigoroso, incluindo retenção da chamada Notificação de Receita A, documento obrigatório para psicotrópicos.
Para pacientes que possuem indicação terapêutica legítima, a orientação é seguir corretamente as doses prescritas, manter os medicamentos armazenados em local seguro e informar imediatamente ao profissional de saúde qualquer alteração comportamental ou efeito colateral percebido durante o tratamento.
Os profissionais da área também alertam para os riscos do compartilhamento de medicamentos entre amigos, familiares ou colegas, prática considerada perigosa e proibida, especialmente no caso de substâncias que atuam diretamente no sistema nervoso central.
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