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Educação • 10:53h • 28 de novembro de 2025

Uso de IA entre alunos e professores exige políticas de segurança

Pesquisa dirigida para ensino médio foi divulgada pelo Cetic.br

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1

De acordo com o estudo, a solução passa pela necessidade de acelerar o processo em termos de regimento, protocolos e políticas que estabeleçam, minimamente, uma baliza para uma visão mais segura, acompanhada de ações com escala que capacitem professores e alunos.
De acordo com o estudo, a solução passa pela necessidade de acelerar o processo em termos de regimento, protocolos e políticas que estabeleçam, minimamente, uma baliza para uma visão mais segura, acompanhada de ações com escala que capacitem professores e alunos.

O estudo “Inteligência Artificial na Educação: usos, oportunidades e riscos no cenário brasileiro”, realizado pelo Cetic.br/NIC.br com alunos e professores do ensino médio das redes pública e privada em São Paulo e Pernambuco, mostra que o uso da IA nas escolas é amplo e pouco orientado. A pesquisa confirma achados anteriores do TIC Educação, que já apontavam que 70% dos alunos do ensino médio (5,2 milhões de estudantes) e 58% dos professores utilizam ferramentas de IA generativa nas atividades escolares.

Segundo a coordenadora da pesquisa, Graziela Castello, os alunos usam IA para praticamente tudo: tirar dúvidas, fazer tarefas, resumir conteúdos, pedir conselhos e até buscar apoio emocional. Os professores também utilizam a tecnologia para preparar aulas e apoiar atividades pedagógicas. Porém, ambos fazem isso sem orientação das escolas ou políticas claras sobre uso responsável.

O estudo aponta que:

  • Alunos e professores querem saber como usar IA de forma ética e segura.
  • Falta regulação, protocolos e capacitação.
  • É urgente criar políticas que orientem o uso da IA nas escolas.

Riscos percebidos

O uso intenso da IA preocupa estudantes e professores. Alunos têm medo de desaprender, perder criatividade, ficar dependentes das ferramentas ou ter sua identidade diluída. Professores relatam que o uso sem mediação já afeta habilidades importantes, como escrita, interpretação e produção de textos. Também se preocupam com o fato de muitos estudantes recorrerem à IA como suporte emocional.

Professores reconhecem o potencial da IA para reduzir tarefas repetitivas, personalizar atividades e apoiar alunos com diferentes níveis de aprendizado. Mesmo assim, dizem que também precisam de orientação e formação adequada.

Desigualdades

O estudo identificou diferenças importantes entre estudantes das redes pública e privada. A principal desigualdade está no acesso a equipamentos e internet. Alunos que dependem apenas do celular têm muito mais dificuldade de usar IA de forma produtiva. Isso aumenta ainda mais a distância entre escolas públicas e privadas.

O que precisa ser feito

Para o estudo, o primeiro passo é investir em letramento digital: ensinar alunos e professores como a IA funciona, quem controla os dados e como evitar riscos. Também é importante discutir se essas tecnologias realmente refletem o contexto brasileiro.

Outro desafio é fortalecer o pensamento crítico. Muitos estudantes já perceberam que a IA comete erros e apresenta vieses, mas não sabem como avaliar ou corrigir essas informações.

Graziela Castello resume a situação dizendo que a IA “entrou chutando a porta” e que o país precisa criar regras, políticas e formação rapidamente — ao mesmo tempo em que a tecnologia já está sendo usada massivamente dentro das escolas.


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