Saúde • 16:19h • 04 de junho de 2026
Uso excessivo de telas prejudica criatividade nas brincadeiras
Tecnologia precisa ser administrada com responsabilidade
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
As brincadeiras de infância mudaram ao longo das últimas décadas. Se antes era comum ver crianças brincando nas ruas, em atividades como pique-esconde, queimada, futebol e outras brincadeiras coletivas, hoje as telas ocupam um espaço cada vez maior no cotidiano infantil.
A transformação dos hábitos de lazer das crianças ganhou destaque no Dia Mundial do Brincar, celebrado em 28 de maio. Especialistas alertam que o avanço da tecnologia trouxe novas formas de entretenimento, mas também reduziu o tempo dedicado às brincadeiras tradicionais e às interações presenciais.
Segundo pesquisadores, fatores como a insegurança nas cidades, a redução do tamanho das famílias e a rotina cada vez mais corrida dos pais contribuíram para que as crianças passassem mais tempo dentro de casa. Nesse cenário, celulares, tablets, computadores e videogames acabaram se tornando uma das principais formas de ocupação do tempo livre.
Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) aponta que a exposição excessiva às telas pode prejudicar a criatividade e a capacidade de brincar de forma espontânea. A pesquisa identificou que muitas crianças encontram dificuldades para criar atividades quando estão longe dos dispositivos eletrônicos, tornando-se mais dependentes da orientação de adultos para se divertir.
Especialistas explicam que esse processo pode gerar um ciclo de dependência: quanto mais tempo a criança passa conectada, menos desenvolve habilidades para brincar sem tecnologia, o que a leva a recorrer novamente às telas para combater o tédio.
Equilíbrio entre tecnologia e desenvolvimento infantil
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam limites para o tempo de exposição às telas, que variam conforme a idade da criança. O objetivo é evitar impactos negativos no desenvolvimento cognitivo, emocional e social, além de problemas de saúde relacionados ao uso excessivo de dispositivos eletrônicos.
Entre os riscos apontados estão alterações no sono, dificuldades de aprendizagem, problemas de visão, sedentarismo, transtornos emocionais e exposição a conteúdos inadequados ou situações de violência digital.
Especialistas ressaltam que o desafio não é eliminar completamente a tecnologia da rotina infantil, mas promover um uso equilibrado e supervisionado. Ferramentas de controle parental e o acompanhamento constante dos responsáveis podem ajudar a garantir que o conteúdo consumido seja adequado à faixa etária.
Ao mesmo tempo, pesquisadores destacam que a tecnologia também pode trazer benefícios quando utilizada de forma consciente. Jogos digitais, por exemplo, podem estimular habilidades como raciocínio lógico, trabalho em equipe, comunicação e resolução de problemas, além de servir como ferramenta educativa.
Projetos sociais voltados para o universo dos games mostram que os jogos eletrônicos podem ser utilizados como instrumentos de aprendizagem, inclusão social e desenvolvimento de competências para o futuro profissional.
Para especialistas, o caminho está na educação midiática e digital desde a infância. Ensinar crianças e adolescentes a compreender o funcionamento das plataformas, dos algoritmos, da circulação de informações e dos riscos da internet é considerado essencial para formar usuários mais conscientes e preparados para o ambiente digital.
Além das famílias e das escolas, os pesquisadores defendem que as empresas responsáveis pelas plataformas digitais também tenham maior responsabilidade na criação de ambientes mais seguros e menos voltados ao estímulo do uso excessivo das telas.
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