Esporte • 10:12h • 22 de janeiro de 2026
USP desenvolve ferramenta acessível para análise da largada no atletismo
Sistema de baixo custo e código aberto permite medir forças aplicadas pelos atletas no momento da largada e oferece feedback em tempo real para treinadores e equipes
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Felipe Medeiros/Jornal da USP
A largada é um dos momentos mais decisivos nas provas de velocidade do atletismo. Diferenças de milésimos de segundo, a força aplicada nos blocos de saída, o tempo de reação e a potência inicial podem definir o resultado da competição. Apesar dessa importância, a análise detalhada desse movimento ainda depende, em geral, de equipamentos caros, pouco portáteis e restritos a laboratórios.
Para suprir essa lacuna, pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP desenvolveram um taco de partida instrumentado, capaz de medir em tempo real a força aplicada pelos atletas no momento da largada e fornecer dados imediatos para treinadores e equipes. A tecnologia foi criada no Programa de Pós-Graduação em Reabilitação e Desempenho Funcional e integra a tese de doutorado de Moser Zeferino Vicente José, sob orientação do professor Paulo Roberto Pereira Santiago, da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP), em parceria com equipes olímpicas e paralímpicas de atletismo do Sesi.
O dispositivo, chamado Taco de Partida Instrumentado IoT, adapta um bloco de partida convencional ao conceito de internet das coisas, utilizando sensores e sistemas de transmissão de dados. A proposta é transformar um equipamento comum da pista em uma ferramenta tecnológica acessível para análise do desempenho esportivo.
Segundo os pesquisadores, soluções semelhantes existem no mercado internacional, mas costumam ter custo elevado e acesso limitado aos dados. O projeto da USP aposta em uma arquitetura aberta, de baixo custo, com componentes facilmente encontrados, permitindo o uso prático no treinamento e a produção de conhecimento científico.
O sistema funciona com células de carga acopladas ao bloco de partida, que registram a força exercida pelos pés e o tempo de reação ao disparo. As informações são processadas por um microcontrolador e transmitidas via Bluetooth para um aplicativo, que exibe gráficos e indicadores em tempo real, além de armazenar os dados para análises posteriores.
A tecnologia já foi testada por atletas do Sesi e permite ajustes técnicos imediatos durante os treinos, ao mostrar com precisão como a força é aplicada na largada. Para treinadores e atletas, o equipamento facilita a identificação de falhas e o planejamento de treinos mais específicos. O taco de partida instrumentado passa por ajustes finais e deve ser entregue oficialmente à equipe em março de 2026, além de servir como base para novas pesquisas na USP.
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