Saúde • 09:41h • 10 de março de 2026
Vacina brasileira contra dengue mantém proteção por pelo menos cinco anos, aponta Butantan
Estudo do Butantan mostra proteção de 80% contra casos graves
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Walterson Rosa/MS
Um estudo do Instituto Butantan revelou que a vacina brasileira contra a dengue, chamada Butantan-DV, mantém sua eficácia por pelo menos cinco anos após a aplicação. O imunizante foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em novembro do ano passado e já começou a ser aplicado em profissionais de saúde em diferentes regiões do país.
De acordo com os resultados, nenhuma pessoa vacinada desenvolveu dengue grave ou precisou de hospitalização durante o período analisado. Com isso, a eficácia da vacina contra formas graves da doença ou casos acompanhados de sinais de alerta foi estimada em 80,5%.
A diretora médica do Butantan, Fernanda Boulos, destaca que o resultado é relevante não apenas por confirmar a proteção do imunizante, mas também por demonstrar a eficiência do esquema de dose única. A Butantan-DV é a primeira vacina contra a dengue do mundo aplicada em apenas uma dose.
Segundo ela, vacinas que exigem duas ou mais doses costumam enfrentar dificuldades de adesão, já que muitas pessoas não retornam para completar o esquema vacinal. Por isso, a comprovação de que uma única aplicação pode garantir proteção duradoura é considerada um avanço importante. Ainda assim, os pesquisadores continuarão monitorando os participantes para verificar se será necessário algum reforço no futuro.
No geral, a eficácia da vacina contra a dengue ficou em 65%. Entre pessoas que já haviam contraído a doença antes da vacinação, no entanto, o índice de proteção subiu para 77,1%.
Os resultados também mostraram variações conforme a faixa etária. A eficácia foi maior entre adolescentes e adultos do que entre crianças. Por esse motivo, a Anvisa autorizou o uso da vacina apenas para pessoas entre 12 e 59 anos, apesar de o imunizante ter sido testado também em crianças a partir de 2 anos.
De acordo com Fernanda Boulos, embora os dados de segurança para crianças tenham sido considerados adequados, a eficácia nesse grupo apresentou queda maior ao longo do tempo em comparação com adultos. Por isso, ainda é necessário avaliar se esse público precisará de doses de reforço.
O Instituto Butantan já planeja, em parceria com a Anvisa, novos estudos para ampliar o uso da vacina entre crianças. Além disso, testes também estão em andamento com idosos, e os primeiros resultados devem ser divulgados no próximo ano. Como o sistema imunológico passa por mudanças com o envelhecimento, os pesquisadores buscam entender se essa população apresenta a mesma capacidade de resposta à vacina.
Nesse estudo com idosos, os participantes serão acompanhados por um ano. Depois disso, os resultados serão comparados com os obtidos entre adultos e enviados à Anvisa para análise de uma possível ampliação do público-alvo.
Para o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha, a inclusão de idosos seria especialmente importante, já que as maiores taxas de mortalidade por dengue são registradas justamente nessa faixa etária. Ele também destaca a segurança demonstrada pela vacina.
O estudo de acompanhamento de longo prazo foi publicado na revista científica Nature Medicine e indicou que o imunizante foi bem tolerado, sem preocupações relevantes de segurança ao longo do período analisado.
Os dados foram obtidos a partir do acompanhamento de mais de 16 mil participantes. Cerca de 10 mil receberam a vacina, enquanto quase 6 mil receberam placebo, formando o grupo de comparação.
Especialistas também ressaltam a importância estratégica do desenvolvimento de uma vacina nacional. Além de fortalecer a capacidade de produção científica do país, o imunizante pode facilitar o abastecimento do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e ampliar a autonomia do Brasil em relação a tecnologias de saúde.
Segundo o Instituto Butantan, a prioridade inicial é atender à demanda do Sistema Único de Saúde (SUS). Após essa etapa, a instituição pretende negociar a exportação da vacina para outros países, especialmente da América Latina, que também enfrentam surtos frequentes de dengue.
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