Saúde • 14:41h • 14 de junho de 2026
Vacinação avança no Brasil, mas cobertura ainda está abaixo das metas e preocupa especialistas
Apesar da recuperação dos índices de imunização nos últimos anos, a maioria das vacinas do calendário nacional ainda não alcança a cobertura considerada ideal. Especialistas alertam para o risco de retorno de doenças como sarampo e poliomielite e reforçam a importância de manter a vacinação em dia
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do Butantan | Foto: Arquivo Âncora1
O Brasil chega ao Dia Nacional da Imunização, celebrado em 9 de junho, com sinais positivos de recuperação das coberturas vacinais. Após anos marcados pela queda nos índices de vacinação e pelo aumento da hesitação vacinal, os dados mais recentes mostram uma retomada gradual da adesão da população às campanhas de imunização. Ainda assim, especialistas alertam que a maioria das vacinas oferecidas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) permanece abaixo das metas recomendadas para garantir proteção coletiva.
A vacinação é considerada uma das principais estratégias de saúde pública do mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os imunizantes foram responsáveis por cerca de 40% da redução da mortalidade infantil global nos últimos 50 anos. Desde 1974, estima-se que mais de 154 milhões de mortes tenham sido evitadas graças às vacinas, sendo a grande maioria entre crianças menores de cinco anos.
Coberturas vacinais seguem em recuperação
Dados do Ministério da Saúde mostram que o país vem registrando crescimento gradual das coberturas vacinais desde 2022. Em 2024, apenas três vacinas aplicadas no primeiro ano de vida alcançaram a meta recomendada: a BCG, que protege contra formas graves da tuberculose; a vacina contra hepatite B; e a primeira dose da tríplice viral, que previne sarampo, caxumba e rubéola.
Em 2025, as vacinas BCG e hepatite B continuaram apresentando cobertura superior a 95%, enquanto a vacina contra o rotavírus também registrou desempenho considerado satisfatório. Apesar disso, até abril de 2026 nenhum imunizante do calendário nacional havia atingido a chamada cobertura ótima. Algumas vacinas apresentam índices preocupantes, como a segunda dose da tríplice viral, a vacina contra varicela e o primeiro reforço da DTP, que protege contra difteria, tétano e coqueluche.
Especialistas destacam que o aumento da cobertura vacinal tem sido impulsionado por investimentos do governo federal, fortalecimento das campanhas de conscientização e adoção de estratégias voltadas às realidades locais. No entanto, alcançar os últimos pontos percentuais necessários para atingir as metas continua sendo um grande desafio.
Risco de retorno de doenças controladas
A baixa cobertura vacinal mantém o país vulnerável à reintrodução de doenças que já estavam controladas ou eliminadas. Um dos principais exemplos é a poliomielite. O Brasil não atinge a meta de vacinação contra a doença desde 2016, e os índices atuais continuam abaixo do recomendado.
Embora o país esteja livre da circulação do poliovírus selvagem há décadas, a redução da imunização aumenta o risco de casos importados. Em 2026, a cobertura da vacina injetável contra a poliomielite permaneceu distante do objetivo estabelecido pelas autoridades de saúde.
O sarampo também preocupa. Em março deste ano, um bebê de seis meses contraiu a doença após uma viagem à Bolívia. Como a criança ainda não tinha idade para receber a vacina prevista no calendário nacional, sua proteção dependia da chamada imunidade coletiva, obtida quando a maioria da população está vacinada.
Mesmo com a recertificação do Brasil como país livre da circulação endêmica do sarampo, conquistada em 2024, especialistas reforçam que esse status depende da manutenção de altas coberturas vacinais em todo o território nacional.
HPV e gripe seguem como desafios
Outras vacinas também enfrentam dificuldades para atingir as metas estabelecidas. A imunização contra o HPV, recomendada para meninas e meninos de 9 a 14 anos, continua apresentando índices abaixo do esperado. As coberturas variam entre as faixas etárias e ainda estão distantes da meta de 90%.
Os números mais baixos são observados justamente entre as crianças de nove anos, idade considerada ideal para iniciar a vacinação. Especialistas reforçam que a proteção precoce é fundamental para prevenir diversos tipos de câncer e outras doenças associadas ao papilomavírus humano.
A vacina contra a gripe também apresenta baixa adesão. Em 2025, pouco mais da metade do público prioritário foi imunizada nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. A situação é ainda mais preocupante em algumas localidades, onde a cobertura ficou abaixo de 50%.
Combate à desinformação
Entre os fatores que contribuem para a baixa cobertura vacinal está a disseminação de informações falsas sobre a segurança das vacinas. O fenômeno ganhou força durante a pandemia de Covid-19 e continua impactando a confiança de parte da população.
Especialistas lembram que as vacinas estão entre os medicamentos mais seguros disponíveis. Antes de serem liberadas para uso, passam por rigorosos testes e pela avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Além disso, permanecem sob monitoramento constante mesmo após serem incorporadas às campanhas de vacinação.
As reações mais comuns costumam ser leves e temporárias, como dor no local da aplicação, vermelhidão, febre baixa e mal-estar. Para os especialistas, ampliar a informação de qualidade e combater a desinformação são medidas fundamentais para aumentar a adesão às vacinas e evitar o retorno de doenças que já poderiam estar controladas no país.
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