• Classe C é a que mais se dedica ao empreendedorismo, diz estudo
  • Os “superalimentos” que realmente fazem diferença na saúde e por que o básico ainda é o mais importante
  • Domingo em Assis tem circo no teatro e encontro de DJs no Buracão
Novidades e destaques Novidades e destaques

Saúde • 12:28h • 29 de março de 2026

Vacinação contra HPV avança, mas mortes ainda preocupam

Cobertura desigual e rastreamento falho desafiam prevenção

Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1

De acordo com o estudo da The Lancet, a integração entre vacinação, rastreamento e tratamento é essencial para atingir a meta global: 90% das meninas vacinadas, 70% das mulheres rastreadas e 90% dos casos tratados.
De acordo com o estudo da The Lancet, a integração entre vacinação, rastreamento e tratamento é essencial para atingir a meta global: 90% das meninas vacinadas, 70% das mulheres rastreadas e 90% dos casos tratados.

A vacinação contra o HPV (papilomavírus humano) avança na América Latina, mas a região ainda registra mortes por câncer de colo do útero, uma doença considerada altamente prevenível. O alerta consta de estudo publicado em fevereiro na revista científica The Lancet, que analisou dados de 35 países e territórios da América Latina e do Caribe.

O HPV é o vírus responsável pela infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo, afetando pele e mucosas. Apesar da disponibilidade de vacinas, a cobertura ainda é desigual entre os países. Na América Latina, varia de 45% a 97%; no Caribe, de 2% a 82%. Os índices estão abaixo da meta global da Organização Mundial da Saúde, que prevê 90% das meninas vacinadas até os 15 anos.

No Brasil, a cobertura em 2024 chegou a 82,83% entre meninas e 67,26% entre meninos de 9 a 14 anos. Em 2025, o Ministério da Saúde intensificou a vacinação, adotando dose única e ampliando o público para jovens de 15 a 19 anos não vacinados.

Em 26 de março foi celebrado o Dia de Conscientização do Câncer de Colo do Útero.

Rastreamento

Segundo a consultora médica da Fundação do Câncer, Flavia Miranda Corrêa, a América Latina apresenta melhores resultados que o Caribe tanto em vacinação quanto em rastreamento. Ainda assim, o principal problema é o modelo adotado na maioria dos países: o rastreamento oportunístico.

Nesse modelo, o exame é feito apenas quando a mulher procura o serviço de saúde por outro motivo ou solicita o procedimento. “A gente sabe que esse modelo de rastreamento oportunístico é muito menos eficiente do que um rastreamento organizado, que tem todos os critérios a serem seguidos e é um rastreamento de base populacional”, explicou a médica em entrevista à Agência Brasil.

Especialistas avaliam que esse formato contribui para diagnósticos tardios e maior mortalidade. Já o rastreamento organizado prevê identificação da população-alvo — mulheres de 25 a 64 anos —, convocação ativa e busca de quem não comparece, além de sistemas integrados para acompanhamento dos casos.

“Não adianta rastrear sem garantir diagnóstico e tratamento”, destacou a médica.

Flavia Corrêa reforçou que a maior deficiência está no modelo de rastreamento que continua oportunístico na maioria desses 35 países e, também porque, não sendo um rastreamento organizado, não há garantias de que todos os procedimentos vão estar disponíveis.

Prevenção

Na América Latina, somente a Venezuela ainda não introduziu a vacinação contra o HPV. No Brasil, o imunizante foi incluído no Calendário Nacional de Vacinação em 2014 e a distribuição é inteiramente gratuita.

“A gente está se aproximando da meta global de 90% de meninas vacinadas até os 15 anos, que é o que a OMS propõe para eliminação do câncer do colo de útero, e acredito que a gente chegará lá”.

Flavia ressaltou a importância de que também os meninos se vacinem, para que eles se protejam dos tipos de câncer causados pelo HPV que incluem os cânceres de ânus, pênis, garganta e pescoço, além de verrugas genitais.

Teste DNA-HPV

Em janeiro, a Fundação do Câncer lançou a atualização do Guia Prático de Prevenção do Câncer do Colo do Útero, orientando a substituição gradual do exame Papanicolau pelo teste molecular de DNA-HPV.

Ainda assim, a citologia permanece como principal método na maioria dos países analisados. O teste molecular foi implementado em nações como Argentina, Brasil, Chile e México, além de alguns países do Caribe.

No Brasil, há avanços na adoção do novo exame e na estrutura de atendimento, com encaminhamento da atenção primária para níveis secundário e terciário.

A mulher vai fazer o rastreamento na atenção primária e, em caso de diagnóstico positivo, será encaminhada para a atenção secundária para fazer a investigação diagnóstica. Uma vez esta sendo concluída, a paciente vai para o nível terciário.

Flávia Miranda Corrêa destaca que, como cada um desses níveis tem sistemas diferentes de informação, eles precisam dialogar, ou interagir, para que a mulher não fique perdida nessa linha de cuidado. “Se a gente não tiver a interoperabilidade desses sistemas, a gente pode perder a navegação da mulher e ela não concluir o tratamento, o que é o maior problema no Brasil”.

Prevenção e sintomas

A especialista explica que lesões precursoras do câncer de colo do útero podem levar de 10 a 20 anos para evoluir, o que amplia a janela de diagnóstico precoce. Quando identificado nessa fase, o tratamento tem alta taxa de sucesso.

Entre os sintomas da doença estão sangramentos fora do período menstrual, após relações sexuais ou na pós-menopausa, além de corrimento persistente. Em estágios mais avançados, podem surgir alterações urinárias ou intestinais.

Estratégia global

O diretor executivo da Fundação do Câncer, Luiz Augusto Maltoni, defende a transição para programas organizados de rastreamento, com convite ativo e acompanhamento das pacientes. Esse modelo contribuiu para a redução da doença em países como Austrália, Canadá, Escócia e Dinamarca.

De acordo com o estudo da The Lancet, a integração entre vacinação, rastreamento e tratamento é essencial para atingir a meta global: 90% das meninas vacinadas, 70% das mulheres rastreadas e 90% dos casos tratados.

Com essa cobertura, a Organização Mundial da Saúde projeta que a incidência do câncer de colo do útero pode cair a níveis residuais nas próximas décadas.

Últimas Notícias

Descrição da imagem

Variedades • 14:04h • 29 de março de 2026

Assis encerra março com pauta intensa entre economia, saúde e política; confira o resumo da semana

Entre 22 e 28 de março, semana teve início da declaração do IR, ações na saúde, eventos culturais, avanço educacional e repercussão de decisões que impactam serviços públicos

Descrição da imagem

Economia • 13:44h • 29 de março de 2026

MEIs dominam delivery de bares e restaurantes, e Abrasel lança guia para aumentar vendas

Cartilha gratuita reúne orientações práticas sobre cardápio, custos, operação e tecnologia para pequenos negócios da alimentação

Descrição da imagem

Economia • 13:12h • 29 de março de 2026

Classe C é a que mais se dedica ao empreendedorismo, diz estudo

Flexibilidade e ganhos maiores estão entre os atrativos

Descrição da imagem

Gastronomia & Turismo • 12:02h • 29 de março de 2026

Os “superalimentos” que realmente fazem diferença na saúde e por que o básico ainda é o mais importante

Recomendação da OMS reforça consumo diário de frutas e vegetais; especialistas apontam que equilíbrio e consistência pesam mais que modismos

Descrição da imagem

Cultura e Entretenimento • 11:48h • 29 de março de 2026

“Cândido Mota Por Elas” tem edição confirmada para abril com foco no protagonismo feminino

Programação será realizada nos dias 23 e 24 de abril, no Centro de Eventos da Coopermota, com atividades voltadas à valorização e fortalecimento das mulheres

Descrição da imagem

Mundo • 11:16h • 29 de março de 2026

Um quarto das estudantes adolescentes já foi alvo de violência sexual

Pesquisa entrevistou quase 120 mil alunas de 13 a 17 anos em 2024

Descrição da imagem

Responsabilidade Social • 10:34h • 29 de março de 2026

Bitucas de cigarro: 4,5 trilhões são descartadas por ano no mundo

Dados científicos de 55 países revelam níveis alarmantes de contaminação em ambientes urbanos e aquáticos

Descrição da imagem

Mundo • 10:03h • 29 de março de 2026

NR-1 entra em vigor em dois meses e obriga empresas a agir sobre riscos psicossociais no trabalho

Nova exigência regulatória ocorre em meio a recorde de afastamentos por transtornos mentais e amplia responsabilidade das empresas sobre saúde emocional

As mais lidas

Ciência e Tecnologia

Paralisação completa do 3I/Atlas intriga cientistas e realinhamento aponta para novo comportamento

Registros confirmados por observatórios independentes em três continentes mostram desaceleração em microetapas, parada total e ajuste direcional incomum, ampliando questionamentos sobre a natureza do visitante interestelar