Saúde • 15:13h • 19 de fevereiro de 2026
Varizes afetam quase metade dos adultos e exigem atenção além da estética
Especialista esclarece mitos e verdades e alerta para riscos da insuficiência venosa crônica
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lara Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Quase metade da população adulta brasileira apresenta algum grau de insuficiência venosa crônica, segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular do Rio de Janeiro, que estima prevalência de 47,6%. A condição, popularmente associada apenas às varizes visíveis nas pernas, pode evoluir para complicações como trombose e úlceras de difícil cicatrização quando não tratada precocemente.
A cirurgiã vascular Camila Kill, mestre em Cirurgia pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e CEO da Vascularte, afirma que a desinformação ainda é uma das principais barreiras ao tratamento. Segundo ela, muitos pacientes acreditam que a única opção envolve cirurgia tradicional com cortes e internação, o que não corresponde mais à realidade em diversos casos.
Diagnóstico precoce amplia opções
De acordo com a especialista, o exame de ecodoppler permite identificar alterações venosas mesmo antes de as veias se tornarem aparentes. Ela explica que o diagnóstico precoce possibilita indicar procedimentos menos invasivos e mais eficazes, reduzindo riscos de complicações.
Entre as técnicas disponíveis, Camila cita o endolaser, procedimento realizado com anestesia local, em ambiente ambulatorial, com duração média de 30 minutos. Segundo a médica, a técnica utiliza uma fibra óptica introduzida na veia safena, guiada por ultrassom, para aplicar energia térmica e fechar o vaso comprometido. O paciente pode caminhar logo após a aplicação e recebe alta no mesmo dia.
Apesar disso, o receio ainda leva muitas pessoas a adiar a consulta, mesmo diante de sintomas como dor, sensação de peso nas pernas, inchaço e câimbras, que podem surgir antes da manifestação estética das varizes.
Mitos e verdades sobre varizes
A especialista reuniu os principais equívocos e informações corretas sobre o tema:
- “Varizes são apenas estéticas” - Mito
As varizes estão associadas à insuficiência venosa crônica, que pode evoluir para complicações clínicas. - “Só pessoas idosas têm varizes” - Mito
A condição pode surgir ainda na juventude, especialmente em pessoas com histórico familiar, sedentarismo ou uso de anticoncepcionais. - “Se não sinto dor, não preciso me preocupar” - Mito
A doença pode evoluir de forma silenciosa. Inchaço, câimbras, queimação ou alteração na coloração da pele são sinais de alerta. - “O tratamento exige cortes e internação” - Mito
Procedimentos minimamente invasivos, como o endolaser, podem substituir a cirurgia tradicional em muitos casos. - “Varizes podem evoluir para doenças graves” - Verdade
Sem acompanhamento, a insuficiência venosa pode levar a trombose, flebite e úlceras. - “O diagnóstico precoce facilita o tratamento” - Verdade
O ecodoppler identifica alterações antes de manifestações visíveis, ampliando as possibilidades terapêuticas. - “Existem opções modernas e seguras” - Verdade
Técnicas minimamente invasivas oferecem recuperação mais rápida e menor desconforto. - “O acompanhamento médico deve ser contínuo” - Verdade
Por se tratar de condição crônica, é necessário manter hábitos saudáveis, prática regular de atividade física, hidratação adequada e, quando indicado, uso de meias de compressão.
Para Camila Kill, associar varizes apenas à estética contribui para atrasar o tratamento e ampliar riscos. A orientação é procurar avaliação médica ao primeiro sinal de sintomas, mesmo que discretos, para evitar complicações e preservar a qualidade de vida.
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