• Déjà-vu: por que o cérebro faz você sentir que já viveu uma situação que nunca aconteceu?
  • Expedição encontra sapo de apenas 2 centímetros e possíveis novas espécies na Amazônia
  • Feira do Empreendedor terá microcrédito de até R$ 21 mil e serviços gratuitos em São Paulo
  • Fez uma biópsia? Entenda o que acontece com o material coletado até chegar ao diagnóstico
  • FEMA promove congresso de saúde com três dias de palestras e workshops em Assis
Novidades e destaques Novidades e destaques

Saúde • 10:02h • 16 de junho de 2026

Vício em apostas acende alerta de saúde pública; perigo já afastou milhares das bets

Perda de controle, adoecimento mental, endividamento e destruição de famílias colocam as bets no centro do debate da saúde mental

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações da CUT | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Os impactos vão muito além das perdas financeiras. Envolve destruição de patrimônios, ruptura de famílias, violência doméstica, suicídios e até a prática de crimes motivados pelo desespero para continuar apostando ou pagar dívidas acumuladas.
Os impactos vão muito além das perdas financeiras. Envolve destruição de patrimônios, ruptura de famílias, violência doméstica, suicídios e até a prática de crimes motivados pelo desespero para continuar apostando ou pagar dívidas acumuladas.

Por trás da promessa de ganhos rápidos e da popularização das apostas online, cresce no Brasil um problema que já preocupa especialistas, profissionais de saúde e autoridades públicas. O avanço das chamadas bets tem ampliado os casos de dependência em jogos, trazendo consequências que vão muito além das perdas financeiras e atingem a saúde mental, a estabilidade econômica das famílias e as relações sociais dos apostadores.

Os impactos incluem endividamento, perda de patrimônio, conflitos familiares, violência doméstica, afastamentos do trabalho e, em situações extremas, tentativas de suicídio e envolvimento em atividades criminosas motivadas pelo desespero para quitar dívidas ou continuar apostando.

A dimensão desse fenômeno ficou mais evidente após levantamentos recentes mostrarem o crescimento do número de pessoas que buscam se afastar das plataformas de apostas. Dados divulgados apontam que cerca de 250 mil trabalhadores deixaram as bets ou solicitaram a autoexclusão em razão de problemas relacionados à saúde mental e ao vício em jogos.

Outro indicador da gravidade do problema vem da Secretaria de Prêmios e Apostas, vinculada ao Ministério da Fazenda. Desde a regulamentação do setor, mais de 603 mil pedidos de autobloqueio foram registrados por usuários que solicitaram a remoção voluntária de seus cadastros das plataformas de apostas. Os números reforçam os alertas de especialistas sobre o crescimento de um transtorno que afeta não apenas indivíduos, mas também famílias e comunidades inteiras.

A compulsão por jogos é reconhecida pela medicina como um transtorno comportamental capaz de alterar mecanismos cerebrais relacionados à recompensa e ao controle dos impulsos. O comportamento costuma seguir um padrão conhecido: após uma vitória inicial, o apostador passa a acreditar que poderá repetir os ganhos. Quando as perdas começam a ocorrer, em vez de interromper as apostas, muitos aumentam os valores investidos na tentativa de recuperar o dinheiro perdido.

Esse comportamento, conhecido como “perseguição da perda”, é considerado um dos principais sinais de dependência. Com o passar do tempo, as apostas deixam de ser uma forma de entretenimento e passam a ocupar um espaço central na rotina da pessoa, comprometendo finanças, trabalho e relacionamentos.

Dependência afeta famílias, saúde mental e mercado de trabalho

Os prejuízos causados pelo vício em apostas costumam atingir toda a família. Relatos frequentes incluem venda de bens, utilização de limites bancários, contratação de empréstimos sucessivos e comprometimento da renda destinada a despesas essenciais, como alimentação, moradia e educação.

Em muitos casos, familiares só tomam conhecimento da situação quando as dívidas já alcançaram valores elevados e difíceis de administrar. Especialistas também observam uma relação crescente entre o endividamento provocado pelas apostas e o aumento de conflitos domésticos, casos de violência familiar e práticas ilícitas utilizadas para obtenção de recursos financeiros.

O problema também afeta diretamente a saúde mental. Ansiedade, insônia, irritabilidade, depressão, crises de pânico e pensamentos suicidas estão entre os transtornos frequentemente associados à compulsão por jogos. À medida que as perdas financeiras aumentam e o controle sobre a própria vida diminui, muitos apostadores entram em um ciclo contínuo de sofrimento emocional.

Os reflexos chegam ainda ao ambiente de trabalho. Empresas relatam queda de produtividade, dificuldades de concentração, faltas frequentes e afastamentos médicos relacionados aos impactos psicológicos da dependência. Esse cenário gera custos não apenas para os empregadores, mas também para a Previdência Social e para o sistema público de saúde.

Diante da expansão acelerada das apostas online, o governo federal tem adotado medidas voltadas à proteção dos usuários. Entre elas está a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, que permite ao cidadão solicitar voluntariamente o bloqueio de seu acesso aos sites de apostas regulamentados. A ferramenta foi criada para auxiliar pessoas que reconhecem estar perdendo o controle sobre o hábito de jogar.

Outra medida implementada foi a proibição do uso do cartão do Bolsa Família em apostas. A decisão ocorreu após estudos apontarem que beneficiários do programa social movimentaram bilhões de reais em plataformas de apostas em um único mês, acendendo o alerta sobre os impactos econômicos da atividade entre populações mais vulneráveis.

Além das ações governamentais, organizações da sociedade civil também têm ampliado campanhas de conscientização sobre os riscos associados às apostas. Entre elas está a iniciativa “Block no Tigrinho”, que busca divulgar informações sobre dependência em jogos e incentivar o uso da ferramenta de autoexclusão.

Com o apoio de artistas, influenciadores e personalidades públicas, a campanha procura alertar a população para os sinais da compulsão e estimular a busca por ajuda especializada. O objetivo é ampliar o conhecimento sobre os riscos do vício em apostas e oferecer caminhos para que pessoas afetadas possam interromper o ciclo da dependência e iniciar um processo de recuperação.

Últimas Notícias

Descrição da imagem

Variedades • 18:22h • 18 de outubro de 2026

Déjà-vu: por que o cérebro faz você sentir que já viveu uma situação que nunca aconteceu?

Sensação de familiaridade com momentos inéditos já foi experimentada por cerca de 74% das pessoas saudáveis; especialista explica quando o fenômeno merece atenção

Descrição da imagem

Variedades • 17:10h • 18 de outubro de 2026

O que acontece quando um jornalista decide ficar uma semana longe do barulho do mundo?

Em plena disputa eleitoral de 2026, decidi passar uma semana sem acessar minhas redes sociais pessoais, acompanhar a televisão aberta ou consumir notícias políticas

Descrição da imagem

Esporte • 16:16h • 18 de outubro de 2026

Brasil disputará Mundial de vôlei em país onde uma partida universitária reuniu 92 mil torcedores

Competição feminina reunirá 32 seleções nos Estados Unidos e no Canadá, com três vagas olímpicas em disputa; modelo universitário americano se destaca pela formação de atletas

Descrição da imagem

Ciência e Tecnologia • 15:42h • 18 de outubro de 2026

Expedição encontra sapo de apenas 2 centímetros e possíveis novas espécies na Amazônia

Pesquisadores exploraram a serra do Aracá, no Amazonas, durante 19 dias e identificaram lagartos, cobras e anfíbios que podem representar novas descobertas científicas

Descrição da imagem

Cultura e Entretenimento • 14:35h • 18 de outubro de 2026

Feira do Empreendedor terá microcrédito de até R$ 21 mil e serviços gratuitos em São Paulo

Evento acontece de 19 a 22 de outubro, na capital paulista, com orientações sobre financiamento, qualificação profissional, formalização de artesãos e oportunidades de emprego

Descrição da imagem

Mundo • 14:04h • 18 de outubro de 2026

Mais descanso, novas contratações e custos maiores: o que muda com o fim da escala 6x1

Mudança promulgada pelo Congresso reduz jornada de 44 para 40 horas semanais, garante dois dias de descanso remunerado e exige adaptação de setores que dependem de funcionamento contínuo

Descrição da imagem

Responsabilidade Social • 13:23h • 18 de outubro de 2026

Startup cria 35 mil endereços digitais em comunidades brasileiras e disputa prêmio nacional de inovação social

Tecnologia desenvolvida pela naPorta já alcançou 100 comunidades em sete estados e busca facilitar entregas e acesso a serviços; vencedores serão anunciados em novembro

Descrição da imagem

Ciência e Tecnologia • 13:01h • 18 de outubro de 2026

Fez uma biópsia? Entenda o que acontece com o material coletado até chegar ao diagnóstico

Médico patologista analisa tecidos e células para identificar doenças, incluindo alterações benignas, inflamatórias e câncer; resultado pode orientar a escolha do tratamento

As mais lidas do mês

Política

Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar

Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos