Saúde • 15:16h • 09 de janeiro de 2026
Versão em pílula do Wegovy chega ao mercado americano e mira quem paga do próprio bolso
Versão oral do medicamento para perda de peso chega ao mercado americano com preços a partir de US$ 149 por mês e mira pacientes sem cobertura de planos de saúde
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da CFF | Foto: Arquivo/Âncora1
A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk iniciou nesta segunda-feira, 5 de janeiro, a venda da versão em comprimido do Wegovy nos Estados Unidos. O lançamento marca a chegada do primeiro agonista de GLP-1 em forma oral aprovado no país para o tratamento da obesidade e amplia a disputa em um dos mercados mais aquecidos da indústria farmacêutica global.
Segundo informações divulgadas pela Reuters, a empresa começou a comercializar as doses iniciais de 1,5 mg e 4 mg ao preço de US$ 149 por mês para pacientes que pagam do próprio bolso. As doses mais altas, de 9 mg e 25 mg, custam US$ 299 mensais. A dose de 4 mg terá reajuste para US$ 199 a partir de 15 de abril.
A estratégia da Novo Nordisk é voltada principalmente a consumidores que não têm reembolso por planos de saúde, um público que vem crescendo diante dos altos preços das versões injetáveis. Analistas ouvidos pela Reuters avaliam que o sucesso comercial da pílula dependerá da capacidade de atrair esse grupo, fora do modelo tradicional de negociação com seguradoras.
O lançamento ocorre em meio à concorrência direta com a americana Eli Lilly, que aguarda uma decisão regulatória para sua própria versão oral de medicamento para emagrecimento ainda neste mês. A empresa já sinalizou que poderá cobrar até US$ 399 por mês pelas doses mais altas, caso o produto seja aprovado. Atualmente, o injetável Zepbound, da Lilly, supera o Wegovy em número de prescrições semanais nos Estados Unidos.
Em comunicado oficial, a Novo Nordisk informou que o Wegovy em comprimido foi aprovado pela Food and Drug Administration em 22 de dezembro de 2025. O medicamento é indicado para adultos com obesidade ou sobrepeso associado a outras doenças, sempre em combinação com dieta de baixa caloria e aumento da atividade física.
O produto utiliza a semaglutida, o mesmo princípio ativo das versões injetáveis do Wegovy e do Ozempic. Em um estudo clínico de fase 3, denominado OASIS 4, com duração de 64 semanas, pacientes que mantiveram o tratamento apresentaram perda média de cerca de 17% do peso corporal. No grupo placebo, a redução foi de aproximadamente 3%. Considerando todos os participantes do estudo, independentemente da adesão ao tratamento, a perda média foi de 14% com o comprimido, contra 2% no grupo placebo.
A empresa também informou que 76% dos participantes que utilizaram o Wegovy em comprimido perderam ao menos 5% do peso corporal, ante 31% no grupo placebo. Os efeitos colaterais mais comuns foram náuseas, diarreia e vômitos, semelhantes aos observados com a formulação injetável.
Medicamentos para obesidade disponíveis no Brasil em forma de canetas emagrecedoras | Foto: Âncora1/Direitos Reservados
De acordo com a Reuters, o medicamento será distribuído por grandes redes farmacêuticas, como CVS e Costco, além de plataformas de telessaúde e canais próprios da Novo Nordisk. Após o anúncio, ações de empresas ligadas à saúde digital registraram alta, enquanto os papéis da Novo avançaram em Copenhague e os da Eli Lilly recuaram em Nova York.
O movimento reforça a intensificação da concorrência no mercado de medicamentos contra a obesidade. Nos Estados Unidos, versões injetáveis desses tratamentos podem custar cerca de US$ 1.000 por mês. Diante disso, as farmacêuticas vêm ajustando preços para consumidores que pagam em dinheiro, em uma tentativa de ampliar o acesso. Desde novembro, a Novo Nordisk já vende o Wegovy injetável por US$ 349 mensais para esse público.
Para a empresa dinamarquesa, a chegada da versão oral amplia as opções terapêuticas e pode facilitar a adesão ao tratamento, especialmente entre pacientes que não desejam ou não conseguem utilizar medicamentos injetáveis.
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