Ciência e Tecnologia • 15:49h • 12 de fevereiro de 2026
Vida no limite: bebê supera cinco horas sem batimentos após reconstrução da aorta
Caso atendido em Belo Horizonte reacende debate sobre acesso a ECMO e corações artificiais no Brasil
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Ryto Assessoria | Foto: Divulgação
Um recém-nascido diagnosticado com cardiopatia congênita grave sobreviveu após permanecer cinco horas sem batimentos cardíacos durante o período pós-operatório em uma UTI, depois de uma cirurgia de alta complexidade realizada na primeira semana de vida. O caso ocorreu em Belo Horizonte e envolveu equipe multidisciplinar especializada em suporte circulatório avançado.
Matias de Oliveira Resende foi submetido a duas cirurgias cardíacas nos primeiros dias de vida, sendo uma delas com duração de 12 horas. O procedimento teve como objetivo reconstruir o arco da aorta e restabelecer o fluxo sanguíneo adequado, permitindo a recuperação funcional do lado esquerdo do coração.
O bebê havia sido diagnosticado ainda na gestação com Síndrome de Hipoplasia do Coração Esquerdo, condição rara que representa de 2% a 4% das cardiopatias congênitas e que pode levar a prognósticos severos sem intervenção especializada. A cardiopatia congênita, de forma geral, afeta cerca de um a cada 100 recém-nascidos vivos.

Planejamento antes do nascimento
O acompanhamento começou ainda no período gestacional, após ecocardiograma fetal que identificou a malformação. A partir do diagnóstico, foi definido previamente onde o parto e o tratamento ocorreriam, garantindo intervenção imediata após o nascimento.
O parto foi realizado no hospital Mater Dei Santo Agostinho, em Belo Horizonte, e o recém-nascido foi transferido poucas horas depois para unidade especializada.
Segundo Marina Fantini, especialista em insuficiência cardíaca, cofundadora da CardioWays e coordenadora da equipe de Cardiologia Pediátrica da Rede Mater Dei de Saúde, a integração entre cardiologia pediátrica, cirurgia cardíaca, terapia intensiva e suporte circulatório foi decisiva. “Essa integração é o que permite enfrentar casos no limite da vida e representa o futuro da cardiologia”, afirma.
ECMO manteve funções vitais
Após a cirurgia principal, o coração do bebê permaneceu sem batimentos por cerca de cinco horas. A equipe optou por manter o suporte por meio da Oxigenação por Membrana Extracorpórea, a ECMO, tecnologia que substitui temporariamente a função do coração e dos pulmões.
A ECMO foi mantida por cinco dias após o procedimento, até que o coração retomasse a função de forma autônoma. A médica explica que a ausência de batimentos não indicava falência irreversível, mas uma condição transitória que poderia ser revertida com suporte adequado.
Este mês, o bebê recebeu alta hospitalar. A expectativa médica é de vida normal, sem necessidade de novos procedimentos cardíacos.
Debate sobre acesso a tecnologias
O caso reacende o debate sobre o acesso a terapias avançadas no Brasil, como ECMO e Dispositivos de Assistência Ventricular Esquerda, conhecidos como corações artificiais. Esses dispositivos são utilizados tanto em situações agudas quanto em casos de insuficiência cardíaca avançada, inclusive como ponte para transplante.
Segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, mais de 100 pessoas morrem anualmente no país enquanto aguardam um transplante cardíaco. Estudos internacionais indicam que grande parte desses pacientes poderia sobreviver por pelo menos três anos após implante de assistência ventricular.
A CardioWays, hub criado por dez cardiologistas com atuação em diferentes instituições de saúde, defende a ampliação de centros estruturados para oferecer essas terapias de forma segura e integrada. “Nosso desafio é fazer com que esse nível de cuidado não seja exceção, mas parte da realidade do sistema de saúde brasileiro”, conclui Marina Fantini.
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