Economia • 15:23h • 23 de julho de 2025
Violência custa mais de R$ 1 trilhão por ano e trava o desenvolvimento do Brasil
Custos com mortes, evasão escolar, retração do comércio, saúde pública e segurança privada travam o crescimento do país e ampliam a desigualdade
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Assessoria | Foto: Divulgação
A violência no Brasil vai além das estatísticas policiais. Enquanto se contabilizam homicídios, assaltos e outros crimes, um impacto ainda maior corrói silenciosamente a economia do país. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e estimativas econômicas, o custo da violência chega a 11% do PIB, o que representa mais de R$ 1 trilhão por ano.
“Estamos falando de um dos maiores custos estruturais do Brasil. A violência compromete investimentos, afasta o turismo, pressiona os gastos públicos e impõe um custo altíssimo às empresas e famílias”, analisa André Charone, consultor financeiro e mestre em negócios internacionais.
Em 2023, o país registrou 46.328 mortes violentas intencionais. Apesar de ser o menor número desde 2011, a taxa de 22,8 homicídios a cada 100 mil habitantes ainda está longe de padrões aceitáveis. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) calcula que cada homicídio gera um custo médio de R$ 1 milhão aos cofres públicos, somando mais de R$ 46 bilhões ao ano.
Mas esse é apenas o início da fatura. A violência urbana desvaloriza imóveis, esvazia escolas, retrai o comércio e afeta diretamente a produtividade nas empresas.
Em 2023, os governos federal, estaduais e municipais gastaram R$ 124,8 bilhões com segurança pública, sendo R$ 101 bilhões apenas pelos estados. E mesmo assim, a sensação de insegurança permanece. O custo do sistema de justiça, do sistema penitenciário e da saúde pública agrava ainda mais esse cenário.
O Sistema Único de Saúde (SUS) gastou R$ 41 milhões em 2022 apenas com internações por ferimentos causados por armas de fogo. Esse valor não inclui cirurgias, reabilitação ou atendimentos ambulatoriais.
No setor privado, o peso é igualmente expressivo. Segundo a Confederação Nacional da Indústria, empresas brasileiras investem cerca de R$ 170 bilhões ao ano em segurança privada — o equivalente a 1,7% do PIB.
"Já vi empresas abandonarem regiões inteiras por conta da criminalidade. Isso afeta empregos, renda e arrecadação. A insegurança virou um fator econômico que pesa no balanço das empresas", afirma Charone.
O impacto também se estende ao futuro do país. Jovens que deixam a escola por medo, trabalhadores traumatizados e famílias desestruturadas alimentam um ciclo de pobreza e exclusão. No Rio de Janeiro, a Confederação Nacional do Comércio estima perdas anuais de R$ 11,48 bilhões devido à violência.
“A violência é causa e consequência da desigualdade. Ela afeta diretamente a educação, a empregabilidade e a mobilidade social”, destaca Charone.
Para o especialista, a solução passa por uma abordagem integrada: “Investir em educação básica, cultura, esporte e infraestrutura urbana é também investir em segurança pública”.
Tratar a violência como um problema econômico e não apenas de polícia é essencial para reverter o quadro. “Quando o custo da violência entra na pauta econômica do país, as soluções começam a ser tratadas com a urgência necessária”, conclui Charone.
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