Educação • 11:03h • 09 de dezembro de 2025
Violência e censura afetam nove em cada dez professores brasileiros
Constata pesquisa do ONVE da Universidade Federal Fluminense
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
Uma pesquisa nacional revelou que nove em cada dez profissionais da educação — da rede pública e privada, tanto da educação básica quanto superior — já sofreram ou presenciaram perseguições e censura no ambiente escolar.
O levantamento, realizado pelo Observatório Nacional da Violência Contra Educadoras/es (ONVE) da UFF em parceria com o MEC, ouviu 3.012 educadores. O foco foi identificar situações que limitam a liberdade de ensinar, como tentativas de censura, intimidações e perseguições políticas.
Segundo o coordenador do estudo, Fernando Penna, o objetivo foi mapear ações que impedem o professor de ensinar determinados temas ou utilizar certos materiais. Ele afirma que a censura já está disseminada em todas as regiões do país e em todos os níveis de ensino.
Principais resultados
- 61% dos professores da educação básica e 55% do ensino superior disseram ter sido vítimas diretas de violência relacionada ao trabalho.
- Entre os que relataram censura, 58% sofreram intimidações, 41% ouviram questionamentos agressivos e 35% foram proibidos de abordar conteúdos específicos.
- Houve ainda casos de demissões (6%), suspensões (2%), transferências forçadas (12%), remoção de função (11%), além de agressões verbais (25%) e agressões físicas (10%).
As temáticas mais atacadas envolvem política (73%), gênero e sexualidade (53%), religião (48%) e negacionismo científico (41%). Professores relataram, por exemplo, proibições para tratar temas de violência sexual ou usar materiais oficiais sobre vacinação.
Violência crescente e clima de medo
Os dados mostram aumento dos casos a partir de 2010, com picos em 2016, 2018 e 2022, anos marcados por forte polarização política. A violência parte, principalmente, de dentro das próprias instituições: profissionais da área pedagógica (57%), familiares (44%), estudantes (34%), outros professores (27%) e gestores (26%).
Quase 45% dos entrevistados disseram se sentir constantemente vigiados e passaram a evitar temas importantes por medo de punições ou demissões. Para muitos, isso afetou profundamente a vida profissional: 33% consideraram o impacto “extremamente forte” e 39%, “bastante forte”. Uma parcela significativa acabou deixando a carreira.
Distribuição regional e alcance
A pesquisa constatou que o problema afeta todas as regiões do país. No total, 93% dos educadores já tiveram contato com algum caso de censura: 59% vivenciaram diretamente, 19% acompanharam na instituição e 15% ouviram relatos.
Propostas
O Observatório defende a criação de uma política nacional de enfrentamento à violência contra educadores, já em discussão com o MEC e o Ministério dos Direitos Humanos. A entidade também sugere reconhecer os professores como defensores de direitos humanos, garantindo proteção especial.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos