Responsabilidade Social • 19:59h • 27 de junho de 2026
Violência contra idosos nem sempre deixa marcas e exige atenção de familiares e profissionais de saúde
Negligência, abuso psicológico e violência financeira podem passar despercebidos; unidades de saúde têm papel importante na identificação precoce
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da CW Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
A violência contra a pessoa idosa vai muito além das agressões físicas. Casos de negligência, abandono, abuso psicológico e exploração financeira costumam ocorrer de forma silenciosa e podem permanecer ocultos por longos períodos. Durante o Junho Violeta, campanha nacional de conscientização sobre a proteção da população idosa, especialistas reforçam a importância de reconhecer os sinais precoces e buscar ajuda sempre que houver suspeita de violação de direitos.
De acordo com o Estatuto da Pessoa Idosa, pessoas com 60 anos ou mais têm direito à proteção integral contra qualquer forma de violência. Além dos familiares e da comunidade, as unidades de saúde desempenham papel fundamental na identificação de situações de vulnerabilidade, já que acompanham regularmente a condição física, emocional e social dos pacientes.
Mudanças de comportamento podem indicar situações de abuso
Segundo especialistas do CEJAM (Centro de Estudos e Pesquisas "Dr. João Amorim"), nem toda violência deixa sinais visíveis. Alterações repentinas de comportamento, isolamento social, perda de peso sem causa aparente, descuido com a higiene, medo excessivo de determinadas pessoas e mudanças emocionais importantes podem indicar que o idoso está vivendo alguma situação de negligência ou abuso.
O acompanhamento frequente nas unidades de Atenção Primária permite que médicos, enfermeiros e demais profissionais percebam essas mudanças e façam os encaminhamentos necessários para a rede de proteção social.

Negligência é uma das formas mais comuns de violência
Entre os tipos de violência mais registrados está a negligência, caracterizada pela ausência de cuidados básicos, como alimentação adequada, higiene, administração correta de medicamentos e acesso aos serviços de saúde.
Também são frequentes casos de violência psicológica, marcada por ameaças, humilhações, isolamento e constrangimentos, além da violência financeira, quando familiares ou terceiros se apropriam indevidamente de aposentadorias, bens ou patrimônio da pessoa idosa.
Nos casos de agressão física, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente, registrar boletim de ocorrência e acionar os órgãos de proteção.
Atenção Primária fortalece prevenção e acolhimento
Nas unidades gerenciadas pelo CEJAM, o acompanhamento dos idosos integra a Linha de Cuidado da Pessoa Idosa, que inclui consultas, visitas domiciliares, atividades coletivas e avaliações multidimensionais capazes de identificar fatores de risco além das doenças.
Segundo os especialistas, a criação de vínculo entre as equipes de saúde e os pacientes facilita a identificação precoce de situações de vulnerabilidade e permite o acionamento da rede de assistência social, incluindo CRAS, CREAS, Ministério Público e demais órgãos responsáveis pela garantia dos direitos da pessoa idosa.
Como denunciar
Casos suspeitos de violência contra idosos podem ser comunicados por meio dos seguintes canais:
- Disque 100, disponível 24 horas por dia.
- Polícia Militar (190), em situações de emergência.
- CRAS, CREAS, Ministério Público ou demais órgãos de proteção da pessoa idosa do município.
- Polícia Civil do Distrito Federal - denúncias neste link
- Secretaria da Segurança Pública de São Paulo - denúncias online aqui
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