Responsabilidade Social • 15:08h • 25 de julho de 2026
Violência psicológica deixa marcas invisíveis; conheça os sinais que podem indicar uma relação abusiva
Especialista explica como identificar manipulação emocional, controle e humilhações que, muitas vezes, antecedem outras formas de violência
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
A violência psicológica é considerada uma das formas mais silenciosas de abuso nos relacionamentos. Sem deixar marcas físicas, ela pode comprometer profundamente a saúde mental da vítima e, muitas vezes, passa despercebida até por pessoas próximas. O tema voltou ao debate público após a repercussão do caso envolvendo o influenciador Lucas Strabko (Cartolouco) e sua ex-namorada Gabriella Augusto, reacendendo a discussão sobre a importância de reconhecer os primeiros sinais de manipulação emocional.
Segundo o psicólogo Paulo Zago Neto, conhecido como Neto Zago, relacionamentos abusivos raramente começam com agressões físicas. Na maioria das vezes, o abuso se instala de forma gradual, dificultando que a vítima perceba o que está acontecendo.
Comportamentos de controle costumam surgir aos poucos
De acordo com o especialista, os primeiros sinais costumam aparecer de maneira sutil e acabam sendo normalizados ao longo da relação.
Críticas constantes, chantagens emocionais, humilhações frequentes, controle sobre a rotina, isolamento da família e dos amigos, ciúmes excessivos, desvalorização, manipulação emocional, ameaças e inversão da culpa estão entre os comportamentos que merecem atenção.
Esse processo faz com que a vítima perca, pouco a pouco, a confiança em si mesma e passe a acreditar que é responsável pelos conflitos do relacionamento.
Consequências vão muito além do sofrimento emocional
Segundo Paulo Zago Neto, a violência psicológica pode desencadear uma série de problemas de saúde mental.
"Vítimas que sofrem esse tipo de abuso apresentam maior risco de desenvolver ansiedade, depressão, síndrome do pânico, transtorno de estresse pós-traumático, insônia, alterações alimentares, baixa autoestima, isolamento social e dificuldades para estabelecer novos relacionamentos afetivos", afirma.
O especialista explica que muitas mulheres passam a viver com medo constante, perdem o amor-próprio e deixam de acreditar que conseguem seguir a vida sem o parceiro agressor.
Romper o ciclo nem sempre é simples
Encerrar um relacionamento abusivo costuma ser um dos momentos mais difíceis para a vítima.
Dependência emocional, dificuldades financeiras, filhos, medo do julgamento social e promessas de mudança feitas pelo agressor estão entre os fatores que contribuem para a permanência na relação.
Mesmo após o rompimento, sentimentos como culpa, insegurança, medo e dificuldade para confiar novamente podem permanecer por muito tempo.
Psicoterapia pode ajudar na reconstrução da autoestima
Para o psicólogo, o acompanhamento profissional desempenha um papel importante na superação dos traumas provocados pela violência psicológica.
Segundo ele, a psicoterapia contribui para que a vítima ressignifique a experiência vivida, fortaleça a autoestima e desenvolva recursos emocionais para reconstruir sua autonomia e estabelecer relações mais saudáveis no futuro.
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